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Claudia Martelotta

HDS_Claudia Martellota

 

O câncer é uma doença silenciosa e inteligente. Ele pensa. Sabe muito mais de nós do que nós mesmos. Ele adora o medo, a desistência. Quanto mais desesperados ficamos, mais abrimos caminho para que ele avance no nosso organismo.

O seu diagnóstico nos obriga a uma guerra involuntária, em que as nossas armas mais poderosas são a coragem, a segurança e a autoestima. É literalmente uma batalha, e a vitória depende bem mais de nós do que imagina a nossa vã filosofia.

Encarar não é fácil, não. No primeiro momento, é um terror inexplicável. Eu olhava para minha cama e pensava: “Será que vou morrer aqui? E os meus projetos? E os meus amores?”. Era um pensamento mórbido atrás de outro, que só me derrubavam.

Um dia estava andando na rua, num trajeto habitual, e me deparei olhando as coisas com mais atenção, reparando nas formas e nas cores, como se eu quisesse guardar as imagens na lembrança. Foi quando me veio na cabeça uma música do Chico Buarque, e eu cantei alto: “Amou daquela vez como se fosse a última…”. Juro, comecei a rir. Eu tenho um humor redentor. Saquei que eu não podia fazer daquela situação um drama. Tinha necessariamente que passar por isso e não adiantava chorar, espernear ou fazer chantagem emocional com o além. O que estava vivendo era sério e real. Tinha de arranjar um jeito de conduzir o processo da melhor maneira possível. Resolvi encarar.

Como eu encaro? Criei uma frase que repito todos os dias, de manhã, no espelho e ‘de com força’. “Aqui não. Aqui você não vai se criar. Pode mandar que eu seguro”.

Assim tem sido, vivendo um dia de cada vez. Se eu acordar bem, faço tudo o que me dá na telha, caminho na praia, brindo com os amigos e vou a festas. Curto a felicidade desses momentos. Meus parentes e amigos ficam felizes com a minha força, e eu faço o que eles esperam de mim – me mantenho viva e alegre.

Não sei, mas deve funcionar porque não tive absolutamente nada durante os sete meses de tratamento. Nem uma febrinha. E olha que eu passei por uma cirurgia de retirada de um enorme baço e sessões de quimioterapia.

Hoje, tiro uma onda de careca e estou feliz com a minha linda “centopeia”, que é como chamo a cicatriz que ficou da operação.

Em tempo: além dos meus parentes e amigos queridos, os meus maiores aliados foram: a Dra. Juliane Musacchio, minha hematologista, que me trata com enorme competência e carinho e tem uma paciência de Jó comigo, pois sei que não sou nada fácil; o Dr. Rafael Albagli, cirurgião que “pariu” meu baço de 3,130 kg; a Josy Bartals, secretária do COI, que, desde o primeiro momento, me encheu de confiança; a equipe de enfermeiros do COI, que aturou as minhas lágrimas e caras feias, porque fico nervosa na hora de puncionar a veia (ninguém é perfeito); e, por fim, o protocolo R-CHOP.

Resumindo, o que me curou mesmo foram os bons médicos, os remédios e o hospital. Eu só fiz a minha parte: confiar.

 

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