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Marinalva de Almeida Silva Gama

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Acabou! E agora me sinto à vontade para compartilhar uma das experiências mais ousadas que vivi ao longo da minha vida. É muito bom poder falar sobre tudo isso agora, pois tudo tem seu tempo, e sinto que este é o meu.

Em dezembro de 2015, estava em casa quando, de repente, me deparei com ele, que até o dia anterior não estava ali. Susto, frio na barriga, pernas bambas, dor no estômago, boca seca. Estava muito nervosa! Liguei para minha irmã, contei o que estava acontecendo e, do outro lado, silêncio. MEDO! Porém, me ajoelhei diante da imagem da minha mãezinha poderosa para pedir força, sabedoria e paz para encarar a doença de frente, sem aquele medo que me assolava. Inexplicável foi a paz que me invadiu; nesse momento tive forças para contar ao meu marido a situação, pois sabia que precisava urgentemente dele para ajudar a resolver aquilo. Sem ele, não conseguiria nada.

Naquele momento só sabia de uma coisa: precisava ser corajosa de verdade!

Os dias foram passando, as informações chegando, o medo foi se transformando em coragem, pois temos várias fases: o questionamento, a tristeza, o medo, a insatisfação, até que atingimos a aceitação. Decidi encará-lo de frente, pois quando ele chega, leva tudo como um tsunami, arrasando sonhos, sorrisos. Porém, não comigo! Não comigo que sempre dei um sorriso para tudo, que sempre esperei e conquistei com muita luta todos os
meus sonhos e ainda tenho outros muitos para conquistar.

Em meio a toda essa turbulência, mesmo me saindo muito forte a tudo, me faltava vontade de compartilhar a experiência, mas tinha em mente que precisava conscientizar o maior número de mulheres possível, pois aprendi que a doença não distingue nada, nem ninguém, e está mais próxima do que a maioria pode querer. Então, decidi esperar tudo acabar para que pudesse fazer esse alerta.

É muito difícil compartilhar certas coisas na nossa vida, e, apesar da vontade, pensei muito no que escrever e acabei recebendo de uma grande e querida amiga um depoimento que gostei muito e que me representa também, assim como muitas outras mulheres. Então, decidi pegar um trecho para descrever minha experiência.

Texto da Suzana Mion:

“Querida amiga quimioterapia, enfim chegamos ao final do nosso íntimo relacionamento. Obrigada por todos os benefícios que você me deu, obrigada por me acompanhar durante os últimos seis meses e me mostrar que o melhor de mim nem mesmo eu conhecia. Obrigada por me mostrar a força e a coragem que descobri ter dia após dia. Obrigada por me ensinar que o cansaço exaustivo, o mal-estar constante, enjoo, fadiga, dores que nunca imaginei, a rápida mudança de aparência, entre tantos outros, são fatores que se tornam tão pequenos, tão insignificantes perto dos valores e virtudes que passamos a apreciar. Sei bem que não sentirei saudades, mas me despeço com um profundo agradecimento. Prometo sempre te defender acima de tudo e prometo sempre passar adiante um segredo que descobri sobre você. És muito mais eficiente e menos devastadora quando trabalha junto com a crença e a fé. Minha fé católica e a de todos que me querem bem me provaram isso sobre você…”

Sou muito GRATA, principalmente pela descoberta precoce. E claro que receber um diagnóstico, ainda que precoce, de câncer de mama não é fácil para nenhuma mulher. Ainda mais antes dos 40 anos de idade, que foi meu caso. Foi difícil, muito mais difícil do que pensava. Foi como se tivesse sido atropelada e quebrado vários ossos, sendo que a recuperação é algo inexplicável! É transformador! É nascer de novo! É se conhecer de verdade!

Dizem que são nos momentos de aflição onde conhecemos melhor Deus. Eu me negava a acreditar nisso, pois achava que o conhecia por estar sempre na sua presença, porém, nessa caminhada, eu senti de forma muito viva a presença de Jesus e de Nossa Senhora, o tempo inteiro, segurando minhas mãos. Em cada momento difícil, eu sentia minhas mãos esquentarem e tinha certeza de que naquele momento eram eles me segurando. Então, como fraquejar? Falaram-me o tempo inteiro que eu tenho uma força inacreditável, e eu não conhecia tal força. Mas posso entender perfeitamente de onde veio tamanha coragem para enfrentar esse monstro. Preciso agradecer em primeiro lugar a Jesus e à Nossa Senhora por estarem comigo, em todos os momentos, me dando muita força, paz, serenidade e confiança, depois minha família (meus amores) e amigos. É valido lembrar que também perdi alguns amigos, que, no auge de seu egoísmo, preferiram se afastar ao ter que lidar com um problema de ter um amigo precisando apenas de uma palavra e não
saber o que falar.

Obrigada ao meu MARIDO (surpreendentemente o melhor marido do mundo), meus médicos, minha mãe, meu pai, meus irmãos, minha sogra, meus cunhados e amigos queridos, que, durante esse período, foram o meu tudo, minha base. Para nós, a fé foi uma grande aliada.

Acabou, e nós vencemos!

Nossa vida é feita de momentos, alegrias, tristezas, incertezas, felicidades. A vida nos apresenta muitos obstáculos, mas é nesse vai e vem que ela nos mostra que tudo tem um motivo para ser vivido, nada nos é dado sem que tenhamos condição de superação. É nas dificuldades e também nas alegrias que, com a graça de Deus, tiramos força para nosso crescimento, evolução e sabedoria. E sabendo que nada é eterno, temos de buscar um equilíbrio na certeza de que tudo passa.

O câncer de mama precisa ser muito divulgado. É preciso que todas as mulheres saibam da importância dos exames de prevenção, do autoexame, mesmo antes dos 40 anos, e que perder algumas coisas não necessariamente é só sofrimento. Podemos, sim, ser lindas mesmo quando tudo parece feio. Acabou!

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