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Câncer da Tireoide em 2018 no Brasil

Este ano (2018), o Instituto Nacional de Câncer publicou as estimativas de incidência de câncer no Brasil para os anos de 2018 e 2019. Como a própria publicação esclarece, as informações sobre a ocorrência de câncer são essenciais para a elaboração e monitoramento de programas de controle do câncer, além de direcionar a agenda de pesquisa sobre o tema. As informações contidas nos registros hospitalares de câncer – RHC (algumas centenas de unidades), dos registros de base populacional – RCBP (algumas dezenas) e do sistema de informação sobre mortalidade – SIM são o repositório dos dados que irão ajudar a calcular as estimativas. Devido a diferença de qualidade dos dados oriundos dos RCBP e em virtude de mudanças metodológicas, é preciso cautela ao analisar as tendências temporais.

Um dado que chama a atenção é o aumento da contribuição do câncer de tireoide na composição dos cânceres mais frequentes em nossa população. O câncer de tireoide é mais frequente em países desenvolvidos, onde vem ocorrendo um aumento progressivo dos casos nas últimas décadas. Em geral, os percentuais de aumento anual das taxas de incidência em países desenvolvidos como os EUA, o Reino Unido e os países Nórdicos são de cerca de 5%-7%. No Brasil, entre 2016 e 2018, houve aumento anual 3 a 4x maior que a variação anual encontrada nos países desenvolvidos.

Recentemente, no final dos anos 1990 e durante a década de 2000, na Coréia do Sul, aumentos significativos nas taxas de incidência foram relacionados à introdução de programas de rastreamento do câncer de tireoide com exames de imagem em mulheres sem sintomas e sinais da doença. Aumentos significativos na incidência, que não estejam relacionados à problemas nos registros dos casos, raramente estão relacionados com maior exposição aos fatores de risco para o câncer de tireoide como por exemplo a radiação ionizante. Em geral, estes aumentos significativos estão associados à maior oferta de exames de rastreamento na população (como a ultrassonografia e punção da tireoide).

Estudos recentes realizados no Brasil mostram que a variação na incidência é maior entre as mulheres em comparação aos homens, com maiores taxas de incidência em municípios de maior desenvolvimento socioeconômico. Análises de alguns RCBP nas últimas décadas mostram um aumento predominante dos cânceres localizados e em populações de maior desenvolvimento humano. Essas características permitem suspeitar que grande parte do aumento dos casos seja consequência do excesso de diagnóstico (sobrediagnóstico) em mulheres assintomáticas submetidas a exames de imagem periodicamente.

Entretanto, em abril de 2017, foi publicado um artigo nos EUA que identifica um duplo aumento dos casos: um devido ao excesso de diagnóstico (dominante) e outro relacionado ao aumento dos fatores de risco (menos prevalente). Quais os fatores de risco envolvidos no aumento dos casos ainda precisam ser esclarecidos. Embora a exposição à radiação ionizante na infância e adolescência (exames diagnósticos por imagem) possa contribuir para este aumento, o percentual de tumores com mutações relacionadas à radiação ionizante tem diminuído. Isso motivou a emergência de novos estudos que apontam a possibilidade de outros fatores de risco como obesidade.

Tendo em vista que o excesso de diagnóstico tem consequências ruins na saúde do indivíduo e nas finanças dos indivíduos e coletividades, são bem-vindas as iniciativas para não indicar o rastreamento do câncer de tireoide e efetuar mudanças na abordagem de nódulos identificados incidentalmente em exames de imagem. Ao mesmo tempo deve-se aprimorar os estudos epidemiológicos de modo a distinguir os fatores envolvidos diretamente no aparecimento do câncer daqueles que refletem apenas um maior acesso ao sistema de saúde e exames de rastreamento.

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