Tipos de câncer

Câncer de Estômago

Definição

O estômago é um órgão em forma da letra J, faz parte do aparelho digestivo e se localiza na parte superior do abdômen. O alimento caminha da boca para o estômago, passando pelo esôfago. No estômago, o alimento é parcialmente digerido e levado por movimentos da parede do próprio órgão em direção ao intestino.

Ele é composto de cinco camadas de tecido. A camada interna em contato com o alimento é denominada mucosa; já a mais externa (que reveste o órgão) é chamada de serosa. As outras são a submucosa (abaixo da mucosa), muscular e subserosa (abaixo da serosa).

Também conhecido como câncer gástrico, é o tumor que acomete as células de revestimento do estômago. Os tumores de estômago geralmente começam na camada mucosa e podem progredir para as outras camadas.

 

Epidemiologia

É o terceiro principal tipo de câncer entre os homens e o quinto entre as mulheres, acometendo, principalmente, homens com idade entre 60 e 70 anos. No Brasil, são registrados, em média, 21 mil casos por ano.

Fatores de risco

Não se sabe a exata causa do câncer de estômago. Pessoas com determinados fatores de risco são mais propensas a desenvolver a doença. Alguns fatores de risco que estão comumente envolvidos no seu aparecimento são os seguintes: infecção pela bactéria Helicobacter pylori (H.pylori); inflamação crônica do estômago (gastrite crônica); anemia perniciosa; consumo de cigarro; histórico familiar de câncer de estômago; dieta rica em alimentos defumados, salgados ou processados e pobre em frutas, legumes e verduras; presença de pólipos no estômago.

Sinais e sintomas

O câncer de estômago inicial pode não apresentar sintomas. Sintomas e sinais como desconforto leve na região do estômago, sensação de plenitude após alimentação, sensação de queimação e perda de apetite podem aparecer nos estágios iniciais da doença.

Conforme o tumor começa a crescer, os sintomas mais frequentes são: maior desconforto ou dor na região do estômago (acima do umbigo); dificuldade em engolir; náuseas e vômitos; perda de peso; coloração amarelada da pele e dos olhos, aumento do volume abdominal; sangue nas fezes ou vômitos com sangue.

Diagnóstico

O seu médico vai conduzir uma investigação diagnóstica para saber se seus sintomas podem ser, ou não, um câncer de estômago. Não é incomum encaminhar o paciente para um especialista (gastroenterologista) para conduzir a investigação.

Alguns exames comumente realizados no processo de investigação são um exame físico minucioso, alguns exames laboratoriais, algum exame radiológico (por exemplo, tomografia computadorizada), uma endoscopia digestiva alta (passagem de um aparelho para visualização do órgão) e uma biópsia, caso haja alguma lesão suspeita.

Classificação

O exame histopatológico da biópsia do estômago permite classificar o tipo de câncer. Os adenocarcinomas são os cânceres que se originam das células de revestimento do estômago (mucosa). Esse é o tipo de câncer mais frequentemente encontrado no estômago. Outros menos frequentes são os linfomas, os tumores do estroma gastrointestinal (GIST) e os sarcomas.

Ao examinar as células cancerígenas, é possível classificá-las de acordo com o grau de diferenciação celular em três graus (1, 2 e 3). Quanto maior o grau, mais anormal parece ser a célula e mais agressivo é o tumor. Na avaliação da biópsia, também é importante saber a profundidade da lesão (se compromete apenas a mucosa ou outras camadas do estômago).

Estadiamento

Após o diagnóstico e a classificação histológica, é feito o estadiamento da doença, ou seja, verifica-se a extensão dela. Para isso, geralmente são pedidos exames complementares, especialmente exames de imagem, como RX do tórax e TC do abdômen, US do estômago por via endoscópica e até mesmo uma laparoscopia (visualização da cavidade abdominal por meio de um aparelho especial).

O objetivo é determinar a extensão da doença e o tipo ideal de tratamento para aquele paciente. O estadiamento utiliza os algarismos romanos de 0 a IV, sendo que os menores algarismos representam os cânceres localizados e os maiores os cânceres avançados. O estágio 0 representa os tumores não invasivos do estômago. Quanto mais o câncer avança em relação às várias camadas do estômago, maior o grau de estadiamento.

Tratamento

Habitualmente, o tratamento envolve uma equipe multiprofissional que inclui cirurgiões, oncologistas e radioterapeutas, entre outros profissionais médicos e não médicos.

O tratamento-padrão habitual envolve diferentes opções, de acordo com a extensão da doença. Não é infrequente a utilização de mais de uma modalidade de tratamento, cujas opções incluem cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapia-alvo.

O tratamento é individualizado, portanto o que é melhor para um paciente pode não ser para outro. O melhor tratamento depende do estágio do tumor e das condições gerais de saúde do paciente.

Em geral, para tumores iniciais, estágios 0 e I, o tratamento mais indicado é a cirurgia. Para os mais avançados, existem combinações de tratamento envolvendo cirurgia/radioterapia/quimioterapia.

Prognóstico

O prognóstico dependerá da extensão da doença no momento do diagnóstico, das características biológicas do tumor e das condições de saúde do paciente. O prognóstico é muito bom para os tumores localizados e menos favorável para a doença avançada ou metastática.

Em países desenvolvidos, as taxas de sobrevida em cinco anos para tumores iniciais (estágios 0 e I) são maiores que 70%.

Prevenção e Detecção Precoce

A prevenção primária se dá pela diminuição dos fatores de risco. Entre os que podem ser modificados, diminuindo o risco, temos a infecção pelo H. pylori e o tabagismo.

Não existem evidências convincentes do benefício da adoção de dieta rica em frutas e verduras e utilização de suplementos de vitaminas na redução do risco, nem indícios de benefícios do rastreamento em áreas de baixa incidência desse tipo de câncer e na população de risco padrão.

Fontes

1. Cancer Research UK home page (http://www.cancerresearchuk.org)
2. National Cancer Institute (NCI) home page (http://www.cancer.gov/)
3. Portal do Instituto Nacional de Câncer (INCA) (http://www2.inca.gov.br)
4. World Cancer Report 2014. Edited by Bernard W. Stewart and Christopher P. Wild. IARC, Lyon, 2014.