CENTRAL DE ATENDIMENTO
Conheça as unidades

9053

Anna Paula Barroso

HDS_Ana Paula Barroso

Meu nome é Anna Paula S. M. Barroso. No dia 27 de maio de 2012, estava comemorando o aniversário de 13 anos de meu casamento e tinha acabado de ser desligada do emprego e começado meu MBA (o que tanto queria). Nesse fim de semana, descobri um caroço na minha mama direita. Jurava que era uma displasia mamária, já que nunca pensava no pior.

Comecei a fazer os exames para ver o que era o tal caroço. Meu ginecologista, que amo e em quem confio, disse o seguinte: “Olha, eu posso estar errado, mas acho que é uma gordura…mas corre”! Ninguém fala isso à toa. Em 15 dias, fiz todos os exames; quando fui ao mastologista que ele me indicou, um profissional de total confiança, escutei o seguinte: “Ana, é câncer, e temos que operar o mais rápido possível”.

Incrível…em nenhum momento, questionei Deus sobre o porquê. O que me apavorava é que ia ter de mexer na parte do meu corpo que eu mais amava – meus seios. Chorei muito, muito. Não tinha pensado no tamanho do problema; só pensava que iam tirar um pedaço meu, o qual eu considerava ser tudo pra mim. Tudo bobagem, já que nem imaginava o que vinha pela frente.

Então, meu sogro me liga e diz: “Vamos te salvar! Você vai viver”.

Em quinze dias, estava pronta para entrar no centro cirúrgico. Nunca fui de deixar pra amanhã o que posso fazer hoje. Fiquei feliz quando o meu mastologista, Dr. Sigiliano, disse não ter nada na axila (pensei…oba, vai ser mais fácil do que penso), mas que, assim mesmo, ele tinha de fazer o esvaziamento da axila.

As lágrimas escorreram, fechei os olhos e falei: “Então, pode me sedar e vamos”. Pedi a Deus que me protegesse. A cirurgia foi tranquila. Esperei alguns meses para começar a quimio. Não tinha noção que ficaria careca. Acho que Deus opera nessas horas. Comecei a malhar e a me preparar para receber a carga de medicação.

Em novembro, começou a minha quimioterapia. Já estava malhando e com massa muscular; nesse momento, “caiu a ficha”, e vi que o cabelo também ia cair. Comecei a procurar perucas e fui presenteada por uma amiga, Tatiana Fontinha, com o livro Força na peruca – Tragédias e comédias de um câncer. Um espetáculo; li numa noite e passei a encarar que ia ficar careca. Bom, aí cortei o cabelo bem curtinho para já ir me acostumando. Com três semanas após a minha primeira quimio, o meu cabelo caiu, e eu fiquei desesperada, liguei para o meu amigo, que veio até a minha casa e rapou a minha cabeça.

Meu Deus, chorei muito (mais do que quando soube que teria um quadrante do seio tirado). Ele saiu de casa passando mal, as crianças choravam; meu marido, Luiz Azzolini, não sabia o que fazer. Acho que foi esse o pior momento. Choramos muito e naquela situação descobri que o câncer era um problema da família, e não só meu. Nesse momento, meu compadre, Márcio Alves, foi o meu alicerce. Derramei muitas lágrimas naquele ombro, já que era ele que me levava às quimios, em razão da impossibilidade de meu marido.

Bom, assim careca, tinha de seguir: dois filhos pequenos, a família em frangalhos, eu tinha que ser forte. Fui para as sessões de quimioterapia…fiquei um bicho. Passei a pesar 81 kg (meu peso inicial era 67 kg); com a malhação, antes da quimio, estava com 71 kg, ou seja, engordei 10 kg. E eu, sempre, a vida inteira, magra, culto ao corpo. Nossa, me ver daquele jeito era muito difícil.

Em uma bela noite, a família quase enlouqueceu com os meus berros de dor – parei de tomar os remédios, muito triste por ver as pessoas que nos amam sem poder fazer nada. Numa noite, não conseguia dormir de tanta dor nas articulações; não conseguia ficar de pé; foi horrível. Fui parar no hospital em cadeiras de rodas, e o enfermeiro querendo me dar morfina. Eu, que não ficava nem de pé, dizia: “Vai dar morfina pra sua avó. Não vai me injetar morfina de jeito nenhum; essa coisa ataca o coração, tenho dois filhos pra criar, tá maluco?”. Assim sendo, tomei o tal remédio da veia e vim para casa. Acabei as sessões de quimio e fui para a radioterapia. Fritaram o meu seio, mas, a essa altura, queria estar viva! Então, estudava na sala de espera, e isso me dava força para seguir. Rezava muito, agradecia a DEUS, porque eu estava firme; não tive depressão e continuava sorrindo e dançando, apesar de tudo. Ao terminar as sessões de radioterapia, conheci um anjo chamado Dr. Alexandre Boukai, que passou a ser o meu oncologista, e teria que começar as aplicações do Herceptin. Fui rastreada e descobri uma metástase no fígado, um dia antes do meu aniversário.

Caramba! Chorei muuuuuuito, meu mundo desabou. Tudo de novo! Careca de novo, agora sem sobrancelhas, sem cílios, mas a determinação ainda maior. Respirei fundo e falei: agora, vai ser mais fácil, já conheço o caminho. Terminei o MBA, inchada, com força total, superdedicada aos estudos, era a minha fuga estudar. Pensar no futuro era a minha válvula de escape. Encarei o inglês, voltei para a academia com força total, enfrentei uma seleção para iniciar um mestrado, orientada pela minha mestre, Norma Brandão. Consegui me manter no peso do início ao fim do segundo tratamento; Aqui conheci o segundo anjo, Dra. Mônica Benarroz (minha nutricionista). Topei uma nova jornada fora do país, sem sobrancelhas, sem cílios e com pouquíssimos cabelos. Sim, apesar de tudo, iniciei um curso de mestrado e sem a menor preocupação de como seria recebida. E fui recebida de braços abertos, o grupo era especial, e hoje percebo que eles fazem parte da minha cura. Um ser de luz me recebeu de braços abertos, Marlene Demari; outra, Livia Yaroussaliam, disse que não teria coragem de meter a cara assim, que me considerava um símbolo de coragem.

Hoje, tenho certeza de que nada nesta vida é por puro acaso. Nossa carta da vida é expedida no momento do nosso nascimento; que todas as pessoas que cruzam o nosso caminho têm um objetivo e uma missão. Sinto-me muito feliz de ter escrito uma história sólida, com verdadeiros Amigos, que me deram as mãos no momento certo, que me ajudaram a escrever essa história tão linda.

Atualmente, entendo que é muito mais necessário estar nesta vida mais para servir do que para ser servido. Agradeço a Deus por ter vivido uma experiência tão rica e tão profunda a ponto de mudar conceitos tão sólidos. E o mais importante: perceber que valemos pelo que somos, e não pelo que aparentamos ser (acho que essa foi a lição mais forte que tive). Sermos firmes, determinados; isso nos faz cada vez mais fortes, mais seguros.

É fundamental no tratamento o pensamento positivo, a alegria e a certeza de que vamos dar a volta por cima; que nada é mais forte do que a nossa certeza. Deus nos apresenta pessoas que nos jogam para a frente, nos fazem sentir mais vivas, mais felizes. Isso é a prova de que DEUS existe. E que, a cada porta fechada, há várias janelas sendo abertas a nossa frente. É uma questão de aprender a ver. Apesar de todo o sofrimento, recebi tantas graças, tantas alegrias, tanta coisa verdadeiramente boa, que as pessoas não acreditam que eu tive um câncer. Sou uma pessoa mais feliz hoje, mais firme do que antes e com outra perspectiva ainda maior de vida.

Acredito que essa doença vem para nos mostrar novas expectativas do que é a vida, do que você pode esperar da palavra viver e principalmente como você pode transformar tudo a seu favor. Não desistir nunca e jamais se entregar. A fé e a determinação são o motivo que me mantém viva e firme. Sou obstinada e disciplinada, sempre vou em busca do que quero e do que acredito. Quero viver e vou terminar de educar meus filhos. Essa é a certeza de que me faz mais viva do que nunca. Infelizmente não consigo citar todos os nomes das pessoas que me ajudaram a ser a muralha que sou hoje. Mas tenho certeza de que todas as pessoas que me auxiliaram nessa jornada entenderam a minha mensagem. E que as amo profundamente e agradeço humildemente por tudo. E o mais importante: o amor. Se sentir amada já realiza parte do processo de cura. A alegria e a fé realizam todo o resto.

Meu bordão: vamos, firmes! Amo minha família e meus AMIGOS; sem eles, eu nada seria. Vamos! Firmo-me na estrada, porque ela é longa; mas não desisto nunca. Estou sempre pronta. Acredito que isso faz toda a DIFERENÇA. Pessoas…firmes! Vamos!!!

“No final, dá tudo certo. Se ainda não deu, é porque o final ainda não chegou” (Silvana Grendene).

Gostaria de citar algumas pessoas que apesar de não ter falado no depoimento, me carregaram neste processo: Andressa Solon, Luciana Alves, Mario Alves, Leonardo Scoralick, Fernanda Bittencourt, Elce Scapin e Regina Helena Silveira.

Compartilhe: