CENTRAL DE ATENDIMENTO
Conheça as unidades

7739

Armando Antonio de Brito Neto

HDS_Armando

 

Eu tenho 56 anos e uma longa história com problemas respiratórios, rinite, asma, bronquite e sinusite desde os 2 anos de idade. Aos 18 anos, para piorar, resolvi começar a fumar pelo menos dois marços de cigarros por dia, até os 40 anos, quando já não estava aguentando mais tanto sofrimento no sistema respiratório. Não fui uma vítima inocente, mas um paciente que tinha amplo conhecimento dos riscos que corria e parei de fumar diante das advertências que recebi de pneumologistas que eu respeitava. Melhorei muito minha saúde depois disso.

Mas, cerca de 14 anos depois de parar de fumar, voltei a ter problemas respiratórios mais graves, como asma, tosse frequente, leve perda de peso, inapetência e cansaço. Procurei pneumologistas que fizeram raios X e tomografias, que constataram que poderia ser um tumor ou uma cicatriz no pulmão direito com aproximadamente 22 mm de extensão. Como eu já havia sofrido inúmeras basites e pneumonias, também poderia ser perfeitamente uma cicatriz. Assim, os médicos e eu resolvemos tratar os demais problemas que estava apresentado – asma, falta de ar, alergia, tosse e acompanhar trimestralmente por TCs a evolução do nódulo detectado. O nódulo comportou-se bem, e eu melhorei imediatamente dos demais sintomas, até a tosse reduziu um pouco.

Todavia, no terceiro dos monitoramentos trimestrais que fiz, uma TC mostrou um importante crescimento no nódulo do pulmão e o súbito aparecimento de nódulos no mediastino. Imediatamente os pneumologistas me fizeram um pedido de Pet-Scan e indicaram um médico cirurgião torácico especializado em oncologia para que eu apresentasse a ele o resultado do Pet-Scan.

Quando fui à Clínica São José fazer uma mediastinoscopia, o maior sucesso que eu poderia esperar seria a informação de que o câncer estaria confinado exclusivamente no lobo direito do pulmão, o que possibilitaria a sua imediata extirpação. Mas, no dia 28 de dezembro de 2012, a notícia que recebi foi a de que eu estava, de fato, com um tumor primário no pulmão direito, de 29 mm, oito grandes metástases na forma de linfonodomegalias no mediastino, com malignidade confirmada por biópsia, mais uma metástase na sétima costela, que me incomodava muito, e uma metástase na suprarrenal direita; em resumo, um câncer primário de pulmão e 10 metástases.

O Dr. Edson Toscano, que fez a mediastinoscopia, me disse que não poderia fazer mais nada cirurgicamente e que eu deveria procurar imediatamente o Dr. Mauro Zukin, no COI. Eu já estava informado que era portador de um câncer de pulmão no estágio IV e estava consciente de que iria para uma luta de trincheiras no front da guerra.

Desde a primeira consulta, o Dr. Mauro me tratou de forma franca e aberta, com honestidade e transparência, informando que, no meu caso, só poderia fazer quimioterapia e que ele garantia que eu iria ter importante melhora imediata nos principais sintomas. De fato, as tosses e as dores na costela desapareceram logo depois da primeira sessão de quimioterapia.

De cara fiquei muito espantado com as instalações do COI e com o profissionalismo de toda a equipe, que fazia questão de me atender com ATC – Atenção, Ternura e Carinho. Não consigo me recordar de nada, ou de ninguém, sobre o que ou quem eu poderia me queixar com relação ao COI. Só tenho para com todos enorme dívida de gratidão, que jamais poderei pagar.

Ao longo do tratamento, nas minhas fases de maior fragilidade emocional, eu não tive dúvida em usar o apoio psicológico da Dra. Laura, com a qual obtive ótimos resultados no sentido de manter minha atitude positiva, protegida das variações de humor que poderiam prejudicar a minha recuperação.

O meu caso era terminal, e o meu tratamento, no fundo, era apenas para ganhar mais algum tempo de vida com alguma qualidade. Mas eu não estava disposto a entregar os pontos. Me agarrei com todas as forças a minha fé, ao Deus na forma em que eu O concebo e humildemente tive o atrevimento de implorar por um milagre.

Por toda a parte, parentes e amigos se mobilizaram e fizeram suas orações na intenção da minha recuperação e, como todos os que recebem uma notícia dessas, eu também sempre estive aberto aos mais diversos tipos de ajuda e apoio que me eram oferecidos; compartilhava com o Dr. Mauro Zukin sobre as iniciativas que estava tomando e ouvia com atenção suas ponderações e recomendações.

E aqui existe uma questão ética profunda a ser mencionada.

Um médico que trabalha neste posto avançado da guerra entre a vida e a morte está sempre tendo que lidar com muito mais que a simples doença de seu paciente; ele tem que lidar com as diversas práticas religiosas, variadas formas de encarar a vida e a morte e diferentes disposições dos pacientes em buscar apoio para a sua condição além da oncologia e, muitas vezes, além da medicina.

Eu sempre brincava com o Dr. Zukin, desde as primeiras consultas, que, sempre que um paciente se recupera de condição tão extrema como era o meu caso, o mérito era de qualquer outra coisa que o paciente fazia, menos uma consequência do tratamento e da ação do médico.

Pois eu também procurei me cuidar, de forma complementar, de muitas outras formas, mas admito e reconheço que, se não fosse a eficiência básica da quimioterapia que recebi, o apoio e o carinho da equipe do COI, essa recuperação não teria ocorrido. De fato, o trabalho do Dr. Mauro Zukin e da equipe do COI foi a base sólida sobre a qual se assentou o ambiente favorável para a realização de um milagre.

De fato, em 3 de maio deste ano, meu segundo Pet-Scan já apresentava significativa redução do tumor primário, a eliminação das metástases na suprarrenal e na costela e uma grande redução nos oito tumores do mediastino, ao ponto de que não era mais possível individualiza-los ou medi-los. E, no Pet-Scan feito no dia 20 de agosto, nenhuma atividade maligna foi detectada, em parte alguma do corpo.

O próprio Dr. Mauro Zukin teve a humildade de me dizer, emocionado, que a minha recuperação havia sido um milagre, acima de todas as expectativas, dele e da medicina.

Mas, da forma que eu acredito, esse milagre é um sinal de que Deus aprovou o esforço de todos os profissionais que se empenharam em salvar a minha vida, e mais de todos os familiares e amigos, desde a minha esposa, meus filhos, irmãos, família, amigos e todos, até desconhecidos, que elevaram a Deus suas orações pedindo pela minha saúde. Uma graça imerecida por mim, mas que assim mesmo me foi proporcionada pela intervenção e pela dedicação de todos os que resolveram orar e trabalhar para salvar a minha vida.

Compartilhe: