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Barbara Helena Da Silva Goes


Em 2016, eu fui diagnosticada com câncer de mama. Quando o médico confirmou, o meu mundo ruiu. Só conseguia pensar que ia morrer. Nem chorar eu conseguia. Fiz minha caminhada realizando 8 sessões de quimioterapia, tomo tamoxifeno há um ano, fiz mastectomia da mama direita e esvaziamento axilar, além de 20 sessões de radioterapia.
Tudo muito doloroso. Tinha uma vida ativa e muito produtiva, mas, por causa do tratamento, tive que abandonar tudo.
Tenho aprendido muito com o câncer. Hoje dou valor a pequenas coisas. Fiquei oito meses sem poder comer e beber coisas que eu gosto, ainda não posso me expor ao sol, que eu adoro, mas não me queixo.
É preciso ser muito forte para superar essa doença, mas, com ajuda de amigos e familiares, eu sigo em frente.
Hoje estou aguardando a liberação dos médicos para ser encaminhada ao cirurgião plástico. É tudo muito lento. Tenho que esperar uns seis meses para pensar em refazer parte do meu corpo que essa doença tirou. Eu, que nunca tive problemas estéticos, me vi sem uma das partes que mais identificam o corpo feminino, a mama.
Quando soube que perderia os meus cabelos, foi pior do que saber que faria uma cirurgia de grande porte. Quando começou a cair foi que me dei conta de que estava mesmo com câncer: a ficha caiu. Cortei o meu cabelão vermelho que amava e, alguns dias depois, raspei. Para minha surpresa, não foi tão difícil raspar. Já não era mais eu, pensei. Nessa fase, não me escondi em casa, como algumas pessoas fazem. Pelo contrário, eu passei a usar e abusar de lenços. Meus amigos fizeram um chá de lenço e curti muito essa fase. Acho que até fiquei bonita, tanto que passei a usar lenço como adereço.
Nunca deixei de participar de nada, sempre respeitando o limite do meu corpo. Graças a Deus, não tive nenhum efeito colateral da quimioterapia. Nenhum! Eu gosto de frisar isso quando falo do meu tratamento. Serve para dar alegria e esperança a quem está iniciando o processo, pois só se tem exemplos de pessoas que passam muito mal com a químio.
Eu saía da quimioterapia e ia ao mercado, cinema, shopping, viajei muito… Fui madrinha de casamento ao sair de uma sessão, frequentava festas de criança, quinze anos, junina. Sempre com meus lenços chamativos!
Bem, agora eu já estou com meu cabelinho crescendo e há um ano e meio sem quimioterapia, mas tudo mudou: agora meu cabelo está grisalho e eu não quero mais tingir.
Ainda não posso dizer que venci, mas, estou sobrevivendo com a ajuda do meu marido, que sempre esteve comigo.
Esse é um pequeno resumo da minha trajetória, que ainda não acabou, pois tenho a reconstrução e outras cirurgias para simetria.
Esqueci de mencionar que adiei a maternidade por conta da vida profissional. E a quimioterapia, junto com a hormonioterapia, que farei por dez anos, me colocaram na menopausa. Ou seja, não poderei ter filhos biológicos. É duro, né?
Hoje vivo tendo calores, irritação, dor no corpo, mas estou viva e, para mim, isso é quase um milagre, porque o meu câncer estava bem avançado: com dois nódulos grandes e já na axila.
Obrigada por permitir que eu contasse um pouquinho da minha história.

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