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Bernard Michel

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História de superação, de resiliência, que transforma uma dor, um espanto, um grito em algo positivo, quase normal e corajoso. Não entrarei em muitos detalhes sobre esta descoberta que se chama CÂNCER. A partir do momento em que recebemos a primeira palmada para acordar na vida, adquirimos também a morte anunciada. Não sabemos nem quando, nem como, mas não podemos ignorar que esse ‘encontro’ acontecerá.

Quando meu médico confirmou o resultado da biopsia, indicando-me o caminho do COI para enfrentar o problema, soube que essa morte anunciada tinha certo prazo e se aproximava de mim; contudo, também sabia que eu poderia afastá-la talvez para um futuro encontro, em outro momento. Quando?

Resolvi me curar. Eu fui informado pelo meu médico que não ia morrer disto – câncer da próstata. Muitos vivem sem saber que têm esse ‘visitante’, incômodo, e vivem. Um dia partem por outro motivo ou outra doença. Olhando ao meu redor, pensei: Eu vou contar essa descoberta a quem? Quase todos já se foram. Não tenho mais família, outros se vão a cada minuto que passa, alguns tragicamente, mas eu tenho um amor. Nesta idade ‘de madureza’, como dizia Drummond, Deus me deu um Amor…

Talvez por ter sido invadido por esse sentimento, por esse amor, por ele enfrentei o tratamento. Me sentir amado foi primordial. Só por mim mesmo, eu não teria aceitado passar por essa provação. Uma prima soube da minha doença; para os meus amigos íntimos, que tenho há mais de 60 anos, mantive o silêncio, não falei nada com ninguém. Um dia falarei, ainda não chegou a hora. Não contei nada porque a simpatia, a compreensão e a preocupação não me serviriam de nada. Nunca quis também que ninguém fosse comigo ao COI, na Barra.

Em 40 dias, nunca solicitei a companhia de ninguém, nunca comentei nada ou escutei algo de outros pacientes. Cada caso é um caso único, e participar de conversas na sala de espera seria psicologicamente negativo para mim. Não foi por desdém, mas sim para me ajudar a enfrentar essa situação silenciosamente. Deu certo! Não senti dores inesperadas, tive momentos críticos, talvez uma grande fadiga na hora da volta para casa; mas só no início, depois fui me acostumando. Eu ia para a Barra saindo de Copacabana, olhando a beleza e a força misteriosa do mar, esse movimento constante que entrava em harmonia com os meus batimentos cardíacos.

A grande ajuda veio de mim mesmo, mas principalmente do meu médico, Dr. GUILHERME GONDIM, que soube, sem meias palavras e com uma lucidez cruel, sadia e positiva, me ajudar sempre com as palavras certas. Chegamos, muitas vezes, a rir da situação. Perguntei como um filho faria com um pai: se isso era normal. Como meu corpo ia reagir? Como ele já estava reagindo? Como eu ia reagir? Naturalmente, a situação foi invertida, já que ele se tornou meu confidente.

Se eu obtiver êxito com o tratamento (ainda faltam 45 dias), a cura deverá se realizar por esse contato, de absoluta confiança, usando uma palavra moderna, isto é, ‘interagindo’ com o médico. O Dr. Guilherme é auxiliado por uma equipe técnica, infinitamente bem preparada para encaminhar o paciente à máquina, com muita leveza e simplicidade. No meu caso, era o FRANCISCO que me dizia: “Vamos lá, CAMPEÃO”. Amei isso; ser valorizado dessa forma, aos 70 anos. Eu achava que já tinha recebido todos os aplausos, assim como julgava ter todas as respostas; no entanto, faltavam ainda certas perguntas. Essas ‘carícias’ são absolutas, principalmente nesse momento. Não posso citar todos, mas gostaria de citar, em particular, a CÁTIA, que recepciona no subsolo, bunker, mulher iluminada, que transcende cada situação, e a JULIANA, sempre sorridente.

Todos merecem uma longa ovação e meus agradecimentos. Foi assim que eu vivi essa história de superação. De modo totalmente humilde, quero deixar o meu relato. Quem sabe alguém possa ser informado e encontrar uma maneira de cura com as minhas palavras.

Obrigado a todos.

Bernard Michel Solioz

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