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Hilda Martins


Fui diagnosticada com câncer de mama em dezembro de 2014. Foi um momento difícil, pois estávamos no mês do Natal, e minha família é muito unida. Só alguns familiares ficaram sabendo naquele momento. Aguardamos as festas de fim de ano para contar a todos. Por causa dessa união, pude contar com eles durante todo o tratamento. Passei por 16 sessões de quimioterapia (2 brancas e 14 vermelhas); após 6 meses, fiz a mastectomia total e a reconstrução da mama direita e, por fim, 30 sessões de radioterapia. Nesse período, tive que me adaptar às mudanças do cabelo comprido e liso para uma careca supervistosa. Eu até agendei para fazer uma peruca com meu cabelo, mas, depois da primeira quimioterapia, fiquei internada por seis dias, pois acabei tendo uma infeção causada pela ferida aberta na mama. Então tomei a decisão de raspar a cabeça, doar o cabelo e assumir de vez a doença. Porque depois que você se despe de algumas coisas e consegue assumir a doença, fica mais fácil enfrentá-la de cabeça erguida.
Tive muita sorte, pois minha família esteve o tempo todo ao meu lado, assim como meus amigos, e contei com um corpo de profissionais que conseguiu acertar todo o tratamento. E a melhor notícia foi quando, após a cirurgia, o resultado da biópsia mostrou que não havia mais tumor. Senti o alívio no rosto da minha mastologista, porque, desde o princípio, estava muito claro que se tratava de um câncer maligno.
Nesses momentos difíceis, é muito importante ter serenidade para poder entender todo o processo que será efetuado, e o médico deve procurar ser muito transparente com o paciente e seus familiares. São momentos duros, porém temos que fazer uma escolha: deixar a doença nos abater ou dar o nosso melhor para que tudo dê certo e nós possamos abatê-la. São dias de altos e baixos, de você ficar pensando “por que comigo?”. Mas não dá para ficar se lamentando. Tem que tocar em frente.
No dia 25 de agosto, fez três anos que a parte mais difícil acabou. Agora são só agradecimentos e os acompanhamentos, porque a saúde voltou e os cabelos cresceram e já foram cortados novamente para doação. Antes de começar o tratamento, fui em uma palestra e vi a preocupação que muitos tinham com a parte física, principalmente as mulheres. E, naquele momento, eu percebi o quanto o ser humano vive em função do que os outros vão falar ou pensar. Ali eu fiz a minha escolha: quero viver, não importa a aparência; vou dar o meu melhor, para que seja apenas uma fase difícil, e logo irá passar. E foi isso mesmo. Hoje relembro tudo isso e vejo que fiz a escolha certa. Foram dias ruins, em alguns deles eu preferia ficar sozinha no quarto, chorando, porque sentia que precisava daqueles momentos sozinha para poder recarregar as energias e voltar a lutar, mostrar para mim mesma que a vida é muito importante para deixar de lado.
Sei que fui abençoada, porque tinha minha família se revezando para cuidar de mim e as palavras de otimismo de meus amigos. Porém muitos pacientes não têm essa sorte. Por isso eu admiro demais o trabalho dos voluntários. Em alguns casos, são eles que dão aos pacientes um pouco mais de carinho. Espero que o meu depoimento possa ajudar algumas pessoas e que elas percebam que há uma Luz no fim do túnel. É acreditar e seguir em frente.

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