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Madalena Bomfim

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São nove horas da manhã. Sentados na sala de espera, aguardamos nossa vez. Um senhor que está ao meu lado, com voz sofrida e pausada, fala das dores que se foram depois da instalação de um já querido cateter. Que bom que o senhor melhorou, disse uma ouvinte. Vejo uma distinta senhora, um pouco sem graça, usando um chapéu que pouco disfarça o conhecido lenço de quem ali passa. É! – penso eu – já se vão seis anos que eu peguei a Madalena, no trabalho, para irmos para casa.

Não era um dia comum. Eu já sabia que ela intuía o que se passava. A gente sempre se falava por telefone, mas, naquele dia, foi diferente. Eu não liguei. Ela também não. E justo no dia em que eu ia tomar conhecimento do resultado?! Ela sabia que eu estava fugindo. E eu pensava em como contar. Ela entrou no carro. Da boca tão amada, saíram – inseguras – as difíceis palavras: É câncer? Fez-se um curto silêncio. É sim! – eu disse – com voz embargada. Ela começou a chorar; eu, também.

O nosso anjo abriu a conhecida porta e chamou uma senhora sentada um pouco à frente. Esqueço um pouco do passado e vejo que seremos os próximos. A Madalena chegou do toalete, mas – com seu silêncio – acho que ela ouvia o senhor do cateter – não impediu que eu retornasse para a fatia de tempo que eu visitava. Lembrei-me de nossa primeira noite em claro, chorando a vida que nos era roubada. O nosso anjo chamou por nós. Seguimos para a conhecida sala. Bom-dia, Madalena! Bom-dia, Dra. Mônica! O carinhoso cumprimento de sempre. Falamos dos resultados dos exames e dos valores da vida. Seis anos sem sinal de retorno!!! Maravilha!!! Obrigado, meu Deus!!! Obrigado, Dra. Mônica!!!

Deixamos o consultório … pegamos o carro … e seguimos para o trabalho de minha amada. Falamos do neto … dos filhos … e da viagem há tanto tramada. Chegamos! Ela me dá um inocente beijo … desce do carro … em uma curta parada. Se tudo desse errado – pensei – meu mundo ficaria muito sem graça. O senhor não pode parar aí, disse o segurança. Perdoe, amigo! Foi só para deixá-la.
Olhei pelo espelho de fora e dei a partida. Que bom!! – pensei – que bom!

É vida que segue. (Madalena iniciou tratamento para câncer de mama em março de 2008. Completou seis anos sem recidiva da doença)

“História escrita por José Bomfim”

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