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Rosemeire Aparecida Dantas


Tive um tumor Tipo 2 na mama, de quase 6 cm. Foi detectado nas mamografias. O médico da UBS falava que era uma “massinha”, porém em 2016 ele estava grande e fui no Pérola, no PA. Lá consegui um encaixe com um mastologista, que me pediu a biopsia, e no dia 11/4/2016 recebi a notícia de que o tumor era maligno. Fiquei sem chão. A masto já foi me dando os papéis da minha internação e, no dia 26/4/2016, foi retirado o tumor em um quadrante e foi feito o esvaziamento da axila direita. Em junho, comecei a fazer a quimioterapia (seis, branca com amarela); em seguida, em dezembro, iniciei a radioterapia (18 sessões). A primeira químio foi a mais difícil, chorei muito. Mas depois coloquei em meu coração que aceitar aquele momento de uma forma leve seria a melhor maneira de amenizar as minhas dores. Eu ria das minhas mazelas, sempre falava que a aceitação era a melhor forma e a força pra vencer as químios, as dores pelo corpo… Continuei trabalhando, não me afastei do serviço, sempre estava conversando com Deus e Nossa Senhora. Foram seis meses de longas viagens de ônibus, dores pelo corpo, choros escondidos (para meus filhos não verem, principalmente o caçula, que ficou seis meses dentro de casa comigo). Meus filhos não tiveram boa aceitação com relação à doença, mesmo sabendo que eu não estava mais com o nódulo. Sentia que eles tinham o medo da morte. Falei pra eles que eu estava “zerada”, não tinha nenhuma célula cancerígena, que o meu tratamento seria pra acabar com qualquer dúvida de que eu estava limpa. Agora, estou no tratamento de imunoterapia tomando o Tamoxifeno, que acaba comigo, mas estou bem e eles também. Às vezes tenho medo, quando vou fazer os exames, pois passo no onco de 3 em 3 meses. Ou quando vejo alguém próximo com CA. Agradeço toda vez quando o onco me diz: “Você está superbem”, e que só preciso ir pra pegar as receitas do Tamoxifeno. O que foi marcante pra mim naquele período foi a força e a fé que me conduziram a levar o tratamento de uma maneira leve. Aceitar o momento, sem me vitimizar, conduzir o momento com leveza foi primordial. Sabia que não morreria de câncer, temos os melhores tratamentos, médicos e equipes competentes, e também tinha e tenho a fé em um maravilhoso Deus que tudo pode e tudo fará. Rir, chorar, ser gente naquele momento me deixou mais humana e me mostrou que eu precisava me amar mais. Antes da doença, eu era pra todos, sempre deixei de viver pra mim, sempre cuidava de todos. E, quando me vi em um leito de hospital, e depois fazendo químio, foi então que desacelerei, comecei a viver um dia por vez e a cuidar mais de mim e me amar. Ame-se, sorria pra você no espelho e aceite o que está passando, seja som e luz neste momento.

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