CENTRAL DE ATENDIMENTO
Conheça as unidades

Início > Histórias de Superação > Valesca Scofano
12948

Valesca Scofano


Descobri que tinha uma doença na tireoide em 2012. Depois de dois anos tentando tratar, com os médicos dizendo que tinha que esperar ela parar, veio a necessidade de fazer uma cirurgia e, com ela, o diagnóstico, no terceiro ano, de câncer de tireoide. Já não estava bem pelos problemas que a própria tireoide causa e, com o diagnóstico, fiquei frustrada, assustada, com medo, desesperada com tudo que poderia acontecer comigo, mesmo sem saber exatamente o que aconteceria.
O médico que me encaminhou para a cirurgia foi um verdadeiro anjo, porque, sem o seu encaminhamento, hoje eu poderia não estar aqui contando esta história, pois o câncer já estava desencapsulado. Ele foi o quinto médico que procurei, e eu sou muito grata a ele e a Deus, que o colocou no meu caminho. O cirurgião, então, nem se fala. Quase um pai: sempre atencioso, cuidadoso, minucioso.
O diagnóstico aconteceu em 2015 e, de lá pra cá, muita coisa mudou. O susto me fez perceber que eu tenho uma boa família, que me apoiou, estando comigo em consultas, fazendo coisas que eu não tinha condições físicas de fazer e tentando me animar em todos os momentos. Precisei fazer iodoterapia e fiquei um mês sem os hormônios da tireoide, o que me fez passar seis meses acamada, sem condições de ir até o banheiro sozinha, pentear os cabelos e outras coisas básicas. Isso tudo com 35 anos e uma filha de seis.
Tudo isso me fez valorizar cada momento que tenho com minha filha, meus amigos, minha família e curtir cada conquista e cada dia. Fiquei ainda com algumas questões de saúde, mas por conta da falta da glândula, não do câncer em si. Porém hoje eu sou, com certeza, uma pessoa muito melhor. O que eu posso dizer é que estar diante de uma situação de muita incerteza me fez refletir muito e querer ser melhor a cada dia. Não melhor que alguém, mas melhor que eu mesma. Melhor para mim mesma, pois hoje não me permito fazer determinadas coisas para agradar os outros sem querer fazer: chorar se quero sorrir, sorrir se quero chorar, sair se quero ficar nem ficar se quero sair. Melhor para aqueles que estão ao meu redor sendo amáveis e agradáveis, fazendo mais elogios do que críticas. Posso dizer que não foi fácil (as noites eram longas e sombrias, regadas de muito, mas muito choro) e ainda não é (pelas questões que ainda restaram), mas tem sido bem mais leve. Viver é uma dádiva. Mesmo com algumas limitações, eu não sou uma pessoa triste e amarga, eu seu uma pessoa livre, leve, feliz e muito grata por tudo que conquistei até aqui. E possível ver o pasto verde mesmo em meio à tempestade. E possível agradecer por mais um dia com pequenos avanços. E possível vencer o estigma de pobre coitado, mesmo abatido, pois se abater não significa perder. Vivo um dia de cada vez, pois o amanhã a Deus pertence, e cada dia pra mim é uma vitória.

Compartilhe: