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Vanderson Gomes Calazans

HDS Paciente 3

No ano de 2008, durante um salto de paraquedas, eu tive um AVC. Imediatamente me encaminharam para um CTI, onde fiquei uma semana internado, até me recuperar. Ao me reabilitar, surgiram duas imagens suspeitas no cérebro e aí começou o desafio para descobrir o que poderia ser. Durante oito meses, incessantemente houve essa tentativa; meu pai me levou a diversos hospitais, vários médicos me examinaram e vários exames foram feitos para que eles pudessem me dar uma resposta.

Ao final desse período, eu já começava a apresentar dificuldades em andar e em 15 dias todo o meu lado esquerdo do corpo ficou paralisado. Nesse momento, minha luta continuou mais intensa ainda.

Com isso, o médico resolveu fazer uma biópsia para detectar a causa da minha paralisia; assim, foi constatado um glioma de baixo grau. Após o laudo, passei por 31 sessões de radioterapia, que fizeram efeito no ato, e em uma semana voltei ao normal. Só que, 15 dias depois, tive a mesma recaída e fiquei todo paralisado de novo.

Procuramos outro especialista e viemos tratar no Americas Oncologia com o Dr. Ronaldo. Ele me aconselhou a fazer uma quimioterapia via oral durante sete meses; só que isso não deu resultado.

Fomos encaminhados à Dra. Elaine e começamos outro processo. Em 2010, ainda continuava na luta contra os meus dois tumores cerebrais. Eles chegaram a medir 4,5 cm cada um; até a médica conseguir a fórmula exata da quimioterapia, enfrentei bastante obstáculos, que foram os efeitos colaterais de todos os medicamentos que utilizava: diarreia, vômito, etc.

Eu sempre fui uma pessoa muito ativa. Era atleta, gostava muito de atividades físicas, era militar, e todos esses efeitos colaterais me tiraram da normalidade. Parei tudo que eu mais gostava de fazer para me tratar e, consequentemente, com 24 anos, tive de me aposentar. Como resultado, entrei em depressão. Foi um tempo de batalha muito intenso, não compreendia o que estava acontecendo comigo. Com a ajuda da minha família, de amigos, da psicóloga Laura Campos e dos médicos, eu consegui entender melhor a situação.

Não fiquei parado; pelo contrário, comecei a participar de ações de voluntariado, o que levantou a minha autoestima. Ajudar pessoas que tinham problemas muitas vezes mais sérios ou graves que os meus fez com que eu aceitasse e compreendesse o meu problema. E, assim, eu fui ficando mais forte, fazendo os tratamentos necessários e com o pensamento sempre positivo de que eu iria vencer essa batalha.

Até hoje eu penso dessa forma. No ano passado, eu recebi a notícia de que o meu tumor se encontrava estável. De seis em seis meses, faço um exame de ressonância para acompanhamento; continuo tomando as medicações que a
Dra. Elaine prescreveu, continuo me tratando, fazendo fisioterapia, tratando as sequelas que o tumor me deixou, mas sempre de cabeça erguida.

Fiquei três anos fazendo quimioterapia e muitas sessões de radioterapia. Por esse motivo, havia enorme chance de eu me tornar estéril. Conversamos com a Dra. Elaine, e ela me indicou fazer um espermograma. Nesse exame, foi constatado que eu tinha apenas 10% de chances de engravidar. E, graças a Deus, mesmo com pouquíssimas possibilidades, eu consegui ter uma filha. Em 18 de novembro de 2014, nasceu a Laís, que se tornou a minha força.

Ela que me dá todos os dias o vigor necessário para continuar nessa luta.
Sempre falo esta frase, que um amigo meu, que passou pela mesma situação, um dia me disse: “O sofrimento é temporário, e o desistir é para sempre”. Então, sempre que estou cabisbaixo, penso nessa frase e penso na minha filha, para manter a cabeça erguida e continuar os desafios.

Eu tenho muito a agradecer ao meu pai, a Deus, aos meus médicos e à minha força de vontade em querer melhorar.

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