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Câncer de Pâncreas

1) Definição

O pâncreas é parte do sistema digestivo e tem como principais funções a produção de insulina e de enzimas digestivas. Localiza-se no andar superior do abdome, atrás do estômago. O órgão se divide em três partes: cabeça, corpo e cauda. A maior parte dos casos de câncer de pâncreas localiza-se na cabeça e isso resulta em uma série de sinais e sintomas sugestivos da doença.

2) Epidemiologia

O câncer de pâncreas é pouco frequente, embora tenha ocorrido um aumento dos casos nos países desenvolvidos na última década. Ele ocorre com maior frequência em idosos e é pouco frequente em indivíduos abaixo de 40 anos. Homens e mulheres são afetados em proporções equivalentes. O adenocarcinoma é o tipo de câncer de pâncreas mais frequente, porém de pior prognóstico. Outro tipo de câncer de pâncreas é o neuroendócrino (produz insulina), que tem melhor prognóstico que o adenocarcinoma. O câncer de pâncreas não figura entre os dez mais incidentes no Brasil na estimativa de casos novos de câncer do INCA de 2016.

3) Fatores de Risco

Alguns hábitos de vida e certas doenças aumentam o risco de câncer de pâncreas. Não se sabe ao certo a sua causa, mas alguns fatores de risco são identificáveis. Os principais fatores de risco são o consumo de tabaco e álcool, excesso de peso e história pessoal e familiar de câncer. Os cânceres de ocorrência familiar geralmente relacionados ao câncer de pâncreas são mama, ovário e o próprio câncer de pâncreas.

Algumas síndromes familiares relacionadas ao câncer são as seguintes: síndrome de Peutz-Jeghers e ataxia-telangectasia, polipose adenomatosa familiar, câncer colorretal não polipoide hereditário e múltiplos nevos atípicos (familiar).

4) Sinais e Sintomas

Os sinais e sintomas da doença dependem da localização do tumor primário (cabeça, corpo e cauda do pâncreas) e, na maioria dos casos, são vagos e imprecisos. Cerca de 70% dos pacientes procuram um médico por causa de dor. Geralmente a dor localiza-se na região do estômago e se alastra para as costas. Ela piora após as refeições e quando o paciente se deita. A dor é mais comum nos tumores de corpo e cauda do pâncreas.

Cerca de 10% dos pacientes apresentam icterícia (coloração amarelada da pele e mucosas). A urina fica mais escura, e as fezes, mais claras. A parte branca dos olhos também pode ficar amarelada. A icterícia é mais comum nos tumores de cabeça do pâncreas.

A perda de peso (10% do peso corporal) é um sintoma pouco frequente, mas pode indicar um mau prognóstico. A perda de peso é mais frequente nos tumores de cabeça do pâncreas.

Outros sintomas menos frequentes são coceiras no corpo, mudanças no funcionamento do intestino, indigestão, aparecimento de trombos nas veias e diabetes.

5) Diagnóstico

O diagnóstico definitivo é histopatológico e a biópsia pode ser obtida através de cirurgia (laparoscopia ou laparotomia), por meio de ultrassonografia endoscópica ou colangiopancreatografia retrógrada, ou guiada por tomografia computadorizada ou ultrassonografia. É comum a realização de outros exames, como exames de imagem e exames de sangue.

6) Classificação

Existem dois tipos principais de câncer de pâncreas: o carcinoma (tumor exócrino) e o tumor neuroendócrino (tumor das ilhotas do pâncreas). O carcinoma (adenocarcinoma) é derivado das células que produzem as enzimas pancreáticas e ajudam o processo de digestão. O câncer das ilhotas do pâncreas é derivado das células produtoras de insulina e glucagon (hormônios que controlam o nível de glicose no sangue) e é relativamente raro. Existem outros tipos mais raros de câncer que acometem o pâncreas, como linfomas e sarcomas.

7) Estadiamento

Em geral, utiliza-se o sistema TNM (tamanho, linfonodo e metástase) para avaliar a extensão do câncer de pâncreas. O sistema classifica os tumores entre 0 e IV, sendo os tumores 0 e II considerados localizados e os tumores III e IV como avançados. Quanto maior o estadiamento, pior o prognóstico. Os tumores neuroendócrinos do pâncreas são classificados como bem diferenciados e pouco diferenciados. Os tumores bem diferenciados têm melhor prognóstico.

8) Tratamento

O estadiamento auxilia a escolha do tratamento. Além disso, o tipo de câncer, o estado geral do paciente e a localização do tumor são importantes para definir o tratamento.

As principais modalidades de tratamento são cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapia-alvo. Em geral, utilizam-se combinações de dois ou mais tratamentos entre as diferentes modalidades disponíveis.

9) Prognóstico

O prognóstico depende do tipo de câncer, do estadiamento do tumor, da localização do tumor e do estado geral de saúde do paciente. Quanto maior a extensão da doença e pior o estado geral do paciente, pior o prognóstico. Em geral, os cânceres de pâncreas exócrinos têm mau prognóstico. Os tumores que são operáveis geralmente têm melhor prognóstico. A sobrevida em cinco anos para a doença localizada nos países desenvolvidos é de 10%-30% e para a doença avançada, cerca de 5%.

10) Prevenção e Detecção Precoce

Não há evidências para intervenções de ações de prevenção ou detecção precoce para esse câncer.

Fontes:
1. Cancer Research UK home page (http://www.cancerresearchuk.org)
2. National Cancer Institute (NCI) home page (http://www.cancer.gov/)
3. Portal do Instituto Nacional de Câncer (INCA) (http://www2.inca.gov.br)
4. World Cancer Report 2014. Edited by Bernard W. Stewart and Christopher P. Wild. IARC, Lyon, 2014.

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