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Câncer de Pele

1) Definição

A pele é considerada um órgão do sistema tegumentar, que inclui ainda cabelo, pelos, unhas e glândulas sudoríparas e sebáceas. Composta de duas camadas (epiderme e derme), suas principais funções são proteger os tecidos subjacentes e regular a temperatura corporal. Além disso, armazena água e gordura para o organismo. O câncer de pele é o câncer que se origina das células da epiderme (células escamosas, células basais e melanócitos). Os cânceres que se originam das células escamosas e basais são chamados de não melanoma e os que se originam dos melanócitos são chamadas de melanomas.

2) Epidemiologia

No Brasil, o Ministério da Saúde estima para 2016-2017 cerca de 180 mil casos por ano. Aproximadamente 95% ou mais dos casos são cânceres de pele não melanoma e apenas 5% ou menos de câncer de pele do tipo melanoma. O câncer de pele não melanoma é mais frequente nas mulheres em relação aos homens (em torno de 95 mil casos para as mulheres e 80 mil para os homens). O melanoma é mais frequente em homens (3 mil casos) do que em mulheres (2.600 casos). As regiões com maior risco são a Sul, Sudeste e Centro-Oeste. As áreas expostas ao sol são os locais com maior probabilidade de aparecimento do câncer de pele, em particular os cânceres do tipo não melanoma.

3) Fatores de risco

O principal fator de risco para o câncer de pele é a exposição excessiva às radiações solares (radiações UVA e UVB). Outros fatores de risco importantes são envelhecimento, história pessoal e familiar de câncer de pele e tipo de pele. Indivíduos de pele, olhos e cabelos claros têm maior risco de câncer de pele, em especial de melanoma. Pessoas com muitos sinais ou pintas e que queimam rapidamente após a exposição solar possuem maior risco de melanoma. Outro fator de risco pouco frequente em nosso país, mas bastante frequente nos países desenvolvidos é a utilização de câmaras de bronzeamento artificial.

4) Sinais e sintomas

Os cânceres de pele melanoma e não melanoma possuem características clínicas diferentes. Os sinais e sintomas mais frequentes nos cânceres não melanoma são os seguintes: manchas ou feridas que não desaparecem em quatro semanas ou manchas e feridas que coçam, sangram ou formam cascas que permanecem após quatro semanas, úlceras que não cicatrizam após quatro semanas de tratamento, nódulos de coloração vermelha ou rósea que crescem lentamente e manchas vermelhas que não desaparecem após algum tempo ou após tratamento. Frequentemente as lesões aparecem em áreas expostas ao sol.

Os sinais e sintomas mais frequentes nos cânceres do tipo melanoma são os seguintes: pintas que mudam de cor, de forma, de relevo, de simetria, que coçam ou se tornam dolorosas, que sangram ou formam uma casca e que parecem inflamadas. Manchas escuras debaixo das unhas que não tenham uma causa aparente devem ser investigadas. Em geral, o melanoma, no homem, é mais frequente na cabeça, no pescoço e no tronco. Na mulher, é mais frequente nas pernas e nos braços.

5) Diagnóstico

O principal exame diagnóstico do câncer de pele é a biópsia da lesão suspeita. Antes da biópsia, é comum a realização de um exame minucioso da pele a “olho nu” ou utilizando um aparelho que possibilita aumentar o tamanho das lesões (dermatoscópio). Em geral, a biópsia é feita com anestesia local e o fragmento de pele é encaminhado para exame histopatológico em um laboratório especializado. Existem diferentes tipos de biópsia: biópsia excisional (retira a lesão), biópsia incisional (retira fragmento da lesão) e as biópsias por shaving e punch, que utilizam técnicas específicas. Após cerca de duas a três semanas, o resultado da biópsia deve ser levado para avaliação pelo seu médico.

6) Classificação

Os cânceres de pele são classificados como não melanoma, e melanoma. Os cânceres do tipo melanoma podem ainda ser classificados de acordo com alguns subtipos. Os diferentes tipos de melanoma, em geral, são diagnosticados pelos mesmos métodos. Os subtipos de melanoma são os seguintes: extensivo superficial, nodular, lentigo, acral e amenalótico. O subtipo extensivo superficial é o mais frequentemente encontrado. Os cânceres de pele melanoma correspondem a 5% ou menos dos casos de câncer de pele.
Os cânceres do tipo não melanoma frequentemente são classificados como basocelulares ou espinocelulares (ou epidermoide). Outros subtipos menos frequentes são carcinoma das células de Merkel, sarcoma de Kaposi e linfoma de células T. Esses subtipos correspondem a menos de 1% dos casos de câncer de pele diagnosticados nos países desenvolvidos. Os cânceres basocelulares correspondem a 75% dos cânceres de pele e o carcinoma epidermoide a 20% dos casos.

7) Estadiamento

O estadiamento dos cânceres de pele se dá de forma diferente para os tumores não melanoma, e melanoma. Os carcinomas basocelulares, em geral, não precisam ser estadiados porque geralmente não se espalham para outros tecidos e órgãos. Eles somente são estadiados se forem muito grandes. O sistema de estadiamento frequentemente utilizado para os tumores de pele não melanoma é o sistema TNM (Tumor, Linfonodo, Metástase). A classificação varia entre 0 e 4, sendo os menores valores os de melhor prognóstico. Outro sistema utilizado em conjunto com o sistema TNM é a avaliação do grau histológico do tumor. Esse sistema analisa o quanto as células que compõem o tumor maligno se aproximam ou diferenciam da célula normal da pele. A classificação varia de 1 a 4, sendo os menores valores, correspondentes aos tumores bem ou moderadamente diferenciados, mais próximos das células normais. Os cânceres do tipo melanoma também podem ser classificados pelo sistema TNM, mas, em geral, utiliza-se o sistema de Clark e Breslow para indicar a profundidade de comprometimento do melanoma. O sistema de Clark (ou escala de Clark) classifica o melanoma em cinco níveis (de 1 a 5). Quanto maior o nível, maior a profundidade e pior o prognóstico. O sistema de Breslow mede a profundidade a partir de um instrumento de medida chamado micrometro. A medida da escala de Breslow é utilizada na classificação TNM para melanoma. A classificação TNM para melanoma também varia entre 0 e 4, sendo os maiores valores os de pior prognóstico.

8) Tratamento

O tratamento do câncer de pele também varia de acordo com o tipo de câncer (melanoma ou não melanoma). Para os cânceres não melanoma, o tratamento depende do tipo de câncer, do tamanho, da localização e do estado geral do indivíduo com o câncer. Os principais tipos de tratamento são a cirurgia, a radioterapia, a quimioterapia e tratamentos mais recentes, como a terapia fotodinâmica (FDT) e terapias tópicas. Para tumores pequenos, a cirurgia é umas das intervenções mais utilizadas e podem ser utilizadas diferentes técnicas, como a cirurgia excisional, a crioterapia, a curetagem e cauterização e a cirurgia de Mohs. Para grandes tumores, as cirurgias são mais extensas e podem envolver a retirada de linfonodos e tratamento complementar. Para tumores em que não estão indicadas as técnicas cirúrgicas acima descritas, pode-se optar pelo tratamento com radioterapia externa ou interna (braquiterapia). No caso de cânceres do tipo melanoma, o tratamento, em geral, é cirúrgico. A radioterapia pode ser usada em algumas situações como complemento ao tratamento cirúrgico ou como tumores extensos. Para os casos de melanoma em estágios avançados, podem ser utilizadas a quimioterapia e a terapia biológica (terapia-alvo ou imunoterapia). Estão sendo realizadas pesquisas com vacinas terapêuticas para o controle do melanoma, porém o acesso a essas vacinas somente ocorre no âmbito de uma pesquisa (ensaio clínico).

9) Prognóstico

O prognóstico dos cânceres de pele depende de numerosos fatores. Em geral, os cânceres de pele, em particular os carcinomas basocelulares, não causam a morte do indivíduo. Nos cânceres do tipo melanoma, os tumores iniciais (estágios de 0 a 2) têm uma sobrevida em cinco anos alta (de 80% a 100%), enquanto os tumores avançados (3 e 4) variam entre 10% e 50%.

10) Prevenção e detecção precoce

A prevenção primária dos cânceres de pele envolve predominantemente a diminuição da exposição excessiva às radiações ultravioleta (radiação solar). As principais estratégias de prevenção são a não exposição nos períodos de maior intensidade de radiação (10h -16h) e a utilização de diferentes barreiras ou proteções (protetor solar, camisas e bonés, barracas, sombras naturais, como árvores, e sombras artificiais, como marquises e tendas). A utilização do protetor solar deve ser feita sob orientação de um dermatologista, uma vez que envolve fatores como tipo de pele, a atividade (trabalho e lazer) em que o indivíduo estará exposto, o tempo de exposição e o horário, entre outros.
Não existem evidências suficientes para recomendar o rastreamento dos cânceres de pele melanoma e não melanoma. Indivíduos sob risco (exposição solar e história familiar) devem ficar atentos a mudanças na coloração e textura da pele e a mudanças nas características de sinais já existentes ou novos.

Fontes:
1. Cancer Research UK home page (http://www.cancerresearchuk.org)
2. National Cancer Institute (NCI) home page (http://www.cancer.gov/)
3. Portal do Instituto Nacional de Câncer (INCA) (http://www2.inca.gov.br)

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