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Câncer de Pulmão

1) Definição

O câncer primário de pulmão é o câncer que acomete a traqueia, os brônquios ou o tecido pulmonar (alvéolos). As células anormais são provenientes de traqueia, brônquios e alvéolos, e não células provenientes de outros órgãos (no caso de as células malignas migrarem de outros órgãos para o pulmão, o câncer de pulmão é secundário ou metastático). Existem dois principais tipos de câncer de pulmão primário: o câncer de pulmão de pequenas células e o câncer de pulmão não pequenas células. Existem diferentes tipos de câncer não pequenas células. Cada tipo difere em relação ao crescimento e comportamento biológico. Os tumores mais frequentes não pequenas células são o carcinoma epidermoide, o carcinoma de células grandes e o adenocarcinoma. Existem dois tipos principais de câncer de pulmão de pequenas células. São eles o tipo pequenas células (oat cell em inglês) e o tipo combinado. Em geral, nos países desenvolvidos, cerca de 85% dos casos de câncer de pulmão são não pequenas células e 15% de pequenas células.

2) Epidemiologia

O câncer de pulmão está entre os tipos de câncer mais frequentes em todo o mundo e representa uma das principais causas de morte por câncer, tanto em homens quanto em mulheres. A incidência é geralmente maior entre homens, embora a ocorrência entre mulheres venha aumentando, o que reflete o crescente hábito de fumar entre mulheres. No mundo, o câncer de pulmão permanece como o mais frequente, com mais de 1,8 milhão de casos novos e 1,6 milhão de mortes em 2012. No Brasil, foram estimados 17.330 novos casos entre homens e 10.890 casos entre mulheres em 2016. Esses valores correspondem a um risco estimado de 18 casos novos a cada 100 mil homens e de 11 casos para cada 100 mil mulheres.

3) Fatores de Risco

O tabagismo está envolvido em 80% a 90% dos casos de câncer de pulmão. O risco estimado é maior entre tabagistas em relação àqueles que não fumam. Quanto maior a quantidade de cigarros fumados por dia e a quantidade de anos fumando, maior o risco. O risco entre fumantes é 20 vezes maior em relação aos não fumantes. Estima-se que 25% dos casos de câncer de pulmão entre não fumantes estejam relacionados ao tabagismo passivo.

Outros fatores de risco são a exposição ambiental ou ocupacional ao gás radônio (proveniente do solo ou de minas de urânio), a exposição ocupacional ao asbesto e à sílica, a poluição do ar, a história familiar de câncer de pulmão e a radioterapia para outros cânceres.

4) Sinais e Sintomas

Os sintomas mais frequentes do câncer de pulmão são tosse persistente e hemoptise (escarro com sangue). Além destes, dor persistente no peito ou no ombro, perda de peso ou apetite, fadiga, pneumonia de repetição e falta de ar podem estar presentes.

Eventualmente, o câncer de pulmão pode ser descoberto incidentalmente a partir de exames de imagem solicitados em pacientes assintomáticos ou como parte de investigação para outras doenças.

5) Diagnóstico

Após a coleta de informações clínicas em indivíduos com sinais e sintomas suspeitos, em geral solicitam-se alguns exames complementares, como os de imagem (raios-x e tomografia computadorizada) e broncoscopia (visualização direta de traqueia e brônquios). Um fragmento do tumor é retirado para exame (biópsia). Para se estabelecer o diagnóstico de câncer de pulmão, é necessária a confirmação pelo patologista. Ele vai examinar o material coletado do paciente ao microscópio à procura de células malignas compatíveis com o diagnóstico. O material poderá ser o escarro (quando possível), lavado, aspirado, ou a biópsia do pulmão, coletados através de endoscopia pulmonar (broncoscopia), punção pulmonar direta com agulha fina e cirurgia.

6) Classificação

Além de dar o diagnóstico de câncer de pulmão, o patologista fornece outra informação valiosa para o médico assistente: o tipo de câncer de pulmão. Essa diferenciação é essencial, pois o tratamento é diferente para os dois principais tipos de câncer de pulmão (pequenas células e não pequenas células). Alguns cânceres de pulmão possuem mutações específicas em seus genes que podem ser identificadas por testes genéticos. Essas informações podem ajudar a escolha do melhor tratamento.

7) Estadiamento

Após o diagnóstico e a classificação do câncer de pulmão, o médico assistente avalia o estadiamento da doença, ou seja, verifica a extensão da doença. Para isso, geralmente são solicitados exames complementares, como exames laboratoriais e exames de imagem direcionados ao tórax, abdome e, eventualmente, crânio e aos ossos. O objetivo desses exames é determinar a extensão da doença e, assim, selecionar o tratamento ideal para aquele determinado paciente. Para o câncer de pulmão não pequenas células, o sistema de estadiamento utilizado é o sistema TNM (tumor, linfonodo e metástase). Os tumores são classificados entre estágios de I e IV e graus histológicos de 1 a 4. Quanto maior o estadiamento e grau histológico, pior o prognóstico. O câncer de pulmão de pequenas células tem um sistema de estadiamento mais simples. Ele é classificado como “doença limitada” ou “doença extensa”. Doença limitada possui melhor prognóstico em comparação com doença extensa.

8) Tratamento

Os pilares do tratamento do câncer de pulmão são a cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia. É fundamental para isso a integração entre o cirurgião torácico, o oncologista e o radioterapeuta, com a finalidade de determinar a melhor opção terapêutica e evitar procedimentos desnecessários. A terapia-alvo molecular é uma nova estratégia que representa um avanço importante no tratamento dos pacientes com câncer de pulmão. Trata-se de medicamentos, oferecidos por via intravenosa ou em formato de comprimidos, utilizados como complemento à quimioterapia, os quais, em algumas ocasiões, podem substituir a quimioterapia tradicional.

9) Prognóstico

O prognóstico do câncer de pulmão dependerá da extensão da doença ao diagnóstico e da presença de comorbidades, ou seja, doenças associadas. O crescente aprimoramento das técnicas cirúrgicas e o advento do tratamento com quimioterapia são medidas que aumentam a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes. O conhecimento da biologia molecular dos tumores também trouxe ganho, uma vez que hoje dispomos de terapias-alvo, com drogas inteligentes, direcionadas contra o tumor, que poupam os pacientes dos efeitos adversos da quimioterapia. Além disso, a radioterapia ganhou destaque no tratamento desses pacientes, sendo uma possibilidade de controle da doença em situações em que a cirurgia pouco pode ajudar. A sobrevida em cinco anos para os tumores não pequenas células varia conforme o estadiamento da doença, o tipo e grau histológico. Quanto menor o estadiamento, melhores o prognóstico e a sobrevida. O prognóstico dos tumores de pequenas células é pior em comparação com os cânceres não pequenas células.

10) Prevenção e Detecção Precoce

O câncer de pulmão representa a neoplasia com maior potencial de prevenção, haja vista sua relação intrínseca com o tabagismo. As campanhas voltadas a reduzir a incidência de fumantes, principalmente entre mulheres e jovens, são prioritárias e merecem forte apoio da população.

Apenas um grande estudo randomizado (seleção aleatória dos grupos) em fumantes “pesados” entre 55 e 74 anos nos EUA, utilizando tomografia computadorizada de baixa dose como exame de rastreamento, mostrou redução na mortalidade por câncer (16%) e mortalidade geral (7%). Nesse estudo, o percentual de exames falso-positivos (exame anormal, porém sem confirmação de câncer) foi muito grande.

Fontes:
1. Cancer Research UK home page (http://www.cancerresearchuk.org)
2. National Cancer Institute (NCI) home page (http://www.cancer.gov/)
3. Portal do Instituto Nacional de Câncer (INCA) (http://www2.inca.gov.br)
4. World Cancer Report 2014. Edited by Bernard W. Stewart and Christopher P. Wild. IARC, Lyon, 2014.

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