CENTRAL DE ATENDIMENTO
Conheça as unidades

Início > Informações sobre Câncer > Tipos de Câncer > Câncer Mieloma Múltiplo
12061

Câncer Mieloma Múltiplo

1) Definição

O mieloma múltiplo é um tipo de câncer ocasionado pelo crescimento anormal de um determinado tipo de célula chamado plasmócito, encontrado na medula dos ossos. Os plasmócitos são células que compõem nosso sistema imunológico e produzem anticorpos contra infecções e algumas outras doenças. Os plasmócitos anormais são chamados de mielomas e produzidos em grande número e em locais diferentes da medula óssea, por isso a denominação de mieloma múltiplo. O crescimento das células pode provocar o aparecimento de um tumor no osso ou nas partes moles (próximo aos ossos) e, quando único, é chamado de plasmocitoma. Quando múltiplo, é chamado de mieloma múltiplo. Ambos são considerados tumores malignos.

2) Epidemiologia

No Brasil, o Ministério da Saúde não produz estimativas para os casos novos de mieloma na população brasileira. Nos EUA, estimam-se 5 a 6 casos para cada 100 mil habitantes para 2016. No Reino Unido, a taxa de incidência em 2014 foi de 9 casos por 100 mil habitantes. Como a idade avançada é um fator de risco para a doença, é provável que, no Brasil, as taxas de incidência estejam bem abaixo das taxas dos EUA e do Reino Unido. Em 2012, mais de 114 mil casos de mieloma foram diagnosticados em todo o mundo, o que representou 0,8% de todos os cânceres. Os casos de mieloma aumentam com a idade, especialmente a partir dos 55-60 anos e com maior frequência entre 65 e 75 anos. Os casos são mais frequentes na população masculina em relação à feminina.

3) Fatores de risco

As evidências sobre os fatores de risco envolvidos no aparecimento do mieloma são limitadas, principalmente por se tratar de uma doença relativamente rara. As exposições ao benzeno, ao óxido de etileno e às radiações ionizantes provavelmente aumentam o risco da doença. O risco é maior nas pessoas com história familiar de mieloma, nos indivíduos com doença de Gaucher, em portadores de algumas doenças autoimunes, como anemia perniciosa e espondilite anquilosante, em indivíduos com excesso de peso e em portadores do vírus HIV.

4) Sinais e sintomas

O mieloma pode ser classificado como sintomático ou assintomático dependendo da presença ou ausência de alterações provocadas pelo mieloma em órgãos ou tecidos. Em geral, nos estágios iniciais, o mieloma não causa sintomas e pode ser suspeitado a partir de um exame de sangue de rotina.

Os sintomas aparecem em razão do aumento dos plasmócitos na medula óssea. Como consequência, há fragilidade dos ossos e deficiência na produção das células sanguíneas habituais, como leucócitos, hemácias e plaquetas. Os dois principais sintomas são dor óssea e cansaço. Em geral, o cansaço é provocado pela anemia, e a dor óssea, pelas lesões líticas. O indivíduo com mieloma pode ser susceptível às infecções e apresentar sangramento anormal na pele (manchas roxas na pele) e mucosa (sangramento nas gengivas).

Quando os ossos são danificados pela doença, uma alta quantidade de cálcio é lançada na circulação sanguínea. Isso é chamado de hipercalcemia e se manifesta clinicamente por sede, cansaço, sonolência e torpor.

Em algumas situações, em especial nas fases avançadas da doença, pode aparecer inchaço nos tornozelos, o que representa algum grau de falência de funcionamento dos rins.

5) Diagnóstico

O diagnóstico do mieloma começa pela coleta detalhada de uma história clínica e por um minucioso exame físico. Complementa a avaliação diagnóstica uma rotina de exames laboratoriais (sangue e urina), um exame da medula óssea (biópsia e aspirado), radiografias convencionais de alguns ossos e, eventualmente, ressonância nuclear magnética e TC de localizações específicas.

A presença de elevado número de plasmócitos na medula óssea e de proteínas monoclonais no sangue e na urina ou a presença de plasmocitoma confirmam o diagnóstico. Outros exames adicionais são necessários para completar a avaliação inicial da doença (como dosagem sérica de beta-2 microglobulina, LDH e albumina), além de análise cromossômica de translocações (tipo de exame genético).

6) Classificação

Recentemente, em 2014, o Grupo de Trabalho Internacional para mieloma atualizou os critérios para diagnóstico da doença. Os novos critérios permitem um diagnóstico e tratamento mais precoce da doença, antes que ela comprometa órgãos vitais, como os rins. Utilizando-se de resultados de exames laboratoriais, o grupo de trabalho estabelece critérios de diagnóstico para o mieloma múltiplo e outras doenças correlacionadas. Além desse critério de classificação da doença, realiza-se também um estudo sobre alterações cromossômicas nas células do mieloma. Essas alterações influenciam o curso da doença, a resposta ao tratamento e o prognóstico.

7) Estadiamento

Os médicos, em geral, usam o Sistema Internacional para o Estadiamento do Mieloma (ISS). O sistema utiliza o resultado de exames laboratoriais (LDH, beta-2 microglobulina e albumina) e de alterações cromossômicas para classificar os pacientes em três grupos (estágios 1, 2 e 3). Quanto maior o estadiamento, pior o prognóstico.

8) Tratamento

Os principais tratamentos para o mieloma incluem a quimioterapia, o uso de corticosteroides, a terapia biológica (medicamentos que modificam a forma como as células funcionam) e a radioterapia e o transplante de medula óssea. O tipo de tratamento vai depender do estadiamento da doença, da apresentação ou não dos sintomas pelo paciente e do estado de saúde geral.

9) Prognóstico

Em geral, a sobrevida dos pacientes com mieloma é relativamente longa. A sobrevida depende de fatores relacionados ao paciente, ao estadiamento da doença, à biologia do tumor e à resposta ao tratamento.

10) Prevenção e detecção precoce

Não há recomendações específicas para prevenção e detecção precoce.

Fontes:
1. Multiple Myeloma: Diagnosis and Treatment. Mayo Clin Proc. 2016; 91(1):101-119. http://dx.doi.org/10.1016/j.mayocp.2015.11.007
2. Cancer Research UK home page (http://www.cancerresearchuk.org)
3. National Cancer Institute (NCI) home page (https://www.cancer.gov/)

Compartilhe: