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Comida: mais que nutrição, é o sabor do cuidado

Por Mônica Benarroz –

Algumas vezes, os tratamentos de quimioterapia e radioterapia provocam tanto mal-estar que comer é quase uma missão impossível para o paciente. Sintomas como falta de paladar, gosto metálico ou sensação de mastigar palha são algumas queixas que podem fazer com que ele rejeite a comida. Porém, é nesse momento também que o familiar mais se preocupa em alimentá-lo. Esse contexto é comum em muitas famílias e, não raro, pode causar frustração tanto de quem cuida quanto de quem é cuidado. Mas como resolver esse conflito?

A comida sempre está atrelada a questões sociais e emocionais. Por isso, no momento em que os sintomas estiverem aguçados, o mais importante é oferecer aquela “comidinha” que tem um sentido especial ou uma história para o paciente; isso pode encantá-lo e despertar nele a vontade de comer “um pouquinho mais”.

Mas lembre-se que o paciente, que está sem fome, sem paladar e, por vezes, enjoado, ao ver uma mesa farta, um copo cheio de água, ou um prato cheio de comida, tende a rejeitar o que está sendo oferecido. Isso também pode gerar conflitos. Por um lado, o paciente se frustra por não conseguir atender as expectativas da família; por outro, a família sofre de ansiedade por ver o paciente sem comer.

Seguem algumas dicas para alimentar o paciente e reduzir os danos do impacto emocional de ele não poder comer de modo satisfatório e “normal” devido aos efeitos colaterais provocados pelos tratamentos:

1. Dê preferência ao que o paciente gosta de comer;
2. Sempre que possível, coloque o paciente sentado à mesa para fazer as refeições e na companhia de alguém;
3. Sempre ofereça pequenas porções, conforme aceitação do paciente;
4. Sempre que possível, varie ao máximo o tipo de comida;
5. Reduza o intervalo entre as refeições, pode ser de 2 em 2 horas, ou a cada hora, conforme aceitação do paciente;
6. Insista um pouquinho só, mas não force o paciente a comer tudo;
7. Esteja disponível e incentive a alimentação na hora certa. Ou seja, não ofereça comida o tempo todo;
8. Não faça mudanças radicais na alimentação (principalmente de idosos);
9. Não faça restrições rigorosas na alimentação (principalmente de idosos), exceto se for necessário para controle de algum sintoma ou se previsto no tratamento.
10. Não faça ameaças ou chantagem emocional, pois isso piora o estado emocional do paciente.

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