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Saiba Mais Sobre o Câncer

 

Centenas de milhares de brasileiros são diagnosticados com diferentes tipos de câncer a cada ano. Mas, embora o número de casos novos venha aumentando nas últimas décadas, em algumas cidades do Brasil observamos a redução da mortalidade por certos tipos de tumor, o que pode indicar melhorias nas ações de controle, especialmente no que se refere à detecção precoce e ao tratamento imediato e de qualidade.

O Americas Centro de Oncologia Integrado pretende com este texto apresentar informações importantes sobre o câncer. Você vai poder saber as possíveis causas do câncer, os testes utilizados normalmente para identificá-lo seus principais sinais e sintomas,além dos métodos diagnósticos e os principais tratamentos.

Pensando em você, montamos este conteúdo com a finalidade de ajudar na compreensão dessa doença tão comum em nossa época. Deixando de lado falsas crenças e mitos relacionados ao câncer e procurando oferecer informações relevantes e úteis para pacientes, familiares e interessados, o texto foi construído sob a forma de pequenos temas, de modo que o leitor possa procurar aquele assunto que mais lhe interessa em determinado momento.

Esperamos atender às suas necessidades de informação, lembrando que seu médico é a melhor fonte de esclarecimento para dúvidas pessoais e referentes à sua saúde.

1) O que é câncer?

Nosso corpo físico é formado por um número extremamente grande de células. São trilhões delas, agrupadas em tecidos, sistemas e órgãos. O câncer começa com a mudança de comportamento de apenas uma delas.

Habitualmente, essas unidades estão em constante processo de renovação, isto é, as células envelhecidas ou defeituosas são substituídas por novas, em um processo programado por nossos genes. Em algum momento, esse mecanismo organizado, controlado e regulado pode ter uma falha. Então, algumas células passam a se multiplicar de forma não controlada e, em vez de envelhecerem e morrerem, elas se mantêm em lugares onde não são necessárias e enganam nosso sistema imunológico para permanecer ali. Esses são alguns dos comportamentos das células tumorais. E o excesso delas em determinado local se caracteriza como um tumor benigno ou maligno.

2) Benigno ou maligno?

Primeiramente, vale deixar claro que tumores benignos não são classificados como câncer. Eles raramente causam a morte de um indivíduo, são facilmente removidos e dificilmente voltam a crescer no mesmo lugar. Também não costumam invadir tecidos vizinhos nem se espalham para outras partes do corpo.

Os tumores malignos, também chamados de câncer, é que são mais perigosos, com potencial de ameaçar a vida do paciente. O problema é que, embora eles possam ser removidos, não é incomum voltarem a crescer no mesmo local, com risco de invadir tecidos vizinhos e crescer em lugares distantes de sua origem, o que chamamos de metástase.

3) Qual é a origem de um tumor maligno?

A maioria deles recebe sua denominação de acordo com o órgão e tecido onde surgiram – por exemplo: câncer de mama, pulmão, estômago. Linfoma é o câncer que começa no sistema linfático, ao passo que a leucemia é aquele que se inicia nos glóbulos brancos do sangue (leucócitos).

Quando um câncer invade tecidos ou órgãos distantes, ele geralmente permanece com as características celulares do tumor primário e mantém sua classificação. Por exemplo, um câncer de próstata que invade os ossos da pelve (bacia) é chamado de câncer de próstata metastático – não de câncer dos ossos da bacia.

4) Como um tumor se forma?

Em geral, a progressão da doença demora anos, mas existem casos em que o tempo entre o início do crescimento celular e os primeiros sintomas é de apenas alguns meses ou semanas. A evolução lenta ou acelerada da doença está relacionada, em geral, a três fatores: mutações genéticas específicas das células tumorais, condições do sistema imunológico do paciente e ambiente onde a célula defeituosa começa a se multiplicar. Nem toda alteração celular termina em um câncer. Mas muitas delas, se não tratadas, precedem o problema.

5) Tipos de câncer

A doença pode ser dividida em tumores adultos e infantis, adolescentes ou pediátricos; tumores sólidos (de órgãos como pulmão, estômago e mama) ou líquidos (como os linfomas e leucemias). Eles ainda podem ser classificados como indolentes (de crescimento lento) ou agressivos (de crescimento rápido). Independentemente da nomenclatura, é preciso entender que existem centenas de tipos de câncer. E uma forma específica, como o câncer de mama, pode ter dezenas de subtipos, cada um com características biológicas e clínicas diferentes.

O câncer é essencialmente uma doença genética, ou seja, acredita-se que grande parte resulte de um dano ao DNA (componente estrutural das células, que contém informações essenciais para direcionar seu funcionamento), induzido por fatores internos e externos ao organismo. Essas falhas, ou mutações, geralmente acontecem em genes responsáveis pela regulação da multiplicação celular (proto-oncogenes), pelo reparo de danos causados ao DNA e pela supressão do crescimento celular desordenado (genes supressores de tumor).

A maioria das alterações é esporádica, ou seja, adquirida ao longo da vida. Entretanto, um percentual pequeno (em torno de 5 a 10%) tem origem  em uma herança de nossos antepassados (herança genética familiar).

6) Quais são os fatores de risco?

Geralmente, os médicos têm dificuldade de explicar por que algumas pessoas têm câncer, enquanto outras não, sendo que isso depende de uma complexa relação entre fatores que protegem o organismo contra a doença e outros que induzem seu surgimento. Estes últimos são os chamados fatores de risco, pois aumentam a probabilidade de um indivíduo adoecer.

Os principais deles são: o envelhecimento, o consumo de cigarro (ou derivados do tabaco), a radiação solar (ou radiação UV), a radiação ionizante (produzida por substâncias radioativas), o consumo de álcool, certos vírus e bactérias, alguns produtos químicos, hormônios, herança familiar genética, excesso de peso, dieta inadequada e sedentarismo.

Considerando que uma parte desses fatores não pode ser controlada, como a herança familiar e o envelhecimento, as recomendações de prevenção se concentram nos fatores modificáveis, ou seja, que dependem de escolha, como o tabagismo e o consumo de álcool.

Um conjunto de fatores de risco atua simultaneamente ou em fases diferentes da vida, aumentando, proporcionalmente à exposição, o risco de câncer. Estima-se que, se eliminarmos o consumo de cigarro, investirmos na manutenção de um peso ideal, na prática de uma atividade física regular e em uma alimentação equilibrada, seja possível reduzir em 30% a incidência na população.

Por fim, é importante desmistificar algumas crenças equivocadas sobre as causas do câncer. Ele não é provocado por uma pancada ou batida, tampouco é contagioso. A presença de um ou mais fatores de risco também não é certeza de que a pessoa vai adoecer. É necessário considerar a sensibilidade individual a cada fator de risco.

7) Uso de tabaco

Fumar predispõe não só ao câncer, mas a outras doenças, como as do coração. A exposição à fumaça, pelos fumantes passivos, também coloca essa população em perigo. Os principais tumores relacionados ao cigarro são os de pulmão, laringe, faringe, bexiga, boca, esôfago, colo do útero e estômago.

Abandonar o vício diminui a probabilidade de adquirir doenças, mesmo que o hábito tenha sido cultivado por muitos anos. Além disso, mesmo para os pacientes com câncer, parar de fumar pode melhorar o prognóstico e diminuir o risco de ter outro tipo de tumor. Procure ajuda. Hoje em dia existem diversos programas de cessação do tabagismo, seja em instituições públicas ou privadas.

8) Bactérias e vírus

Certos micro-organismos, como bactérias e vírus, também podem estar por trás do aparecimento de tumores. É o caso de alguns subtipos do HPV (HPV 16 e 18), que tornam as portadoras de infecções crônicas mais suscetíveis ao câncer do colo do útero, além de favorecerem o aparecimento de tumores de ânus e orofaringe em homens. Já as hepatites B e C predispõem ao câncer de fígado, enquanto a infecção recorrente pela bactéria Helicobacter pylori pode ser um gatilho para o câncer de estômago e o linfoma.

9) Herança familiar

Mutações provocadas por fatores de risco são capazes de comprometer nossas células germinativas—os espermatozoides e os óvulos. E existe a possibilidade de as alterações adquiridas serem transferidas para o embrião, permanecendo nas células de seu organismo desde o início da vida.

Embora o câncer hereditário seja pouco comum, existem famílias com maior propensão a certos tumores, como melanoma, câncer de mama, ovário, próstata e intestino. Por isso, vários episódios de um tipo de câncer em uma mesma família despertam suspeita de herança familiar.

10) Alimentação, consumo de álcool e atividade física

Os médicos costumam recomendar uma dieta balanceada, a manutenção do peso e a ingestão limitada de álcool. Sob a visão nutricional, recomenda-se o consumo de frutas, verduras e legumes em, pelo menos, cinco porções ao dia. Também é aconselhável diminuir os alimentos ricos em gordura (principalmente frituras), carnes vermelhas ou processadas e embutidos.

No que se refere à atividade física, o ideal é manter uma prática regular de média intensidade (como uma caminhada de 30 minutos pelo menos cinco vezes por semana).

11) Quais são os exames para detecção precoce?

Quando o assunto é câncer, o ideal é detectá-lo o mais cedo possível, antes do aparecimento dos primeiros sinais e sintomas, pois assim o tratamento costuma ser mais efetivo. Para alcançar esse objetivo, existem duas estratégias: o rastreamento e o diagnóstico precoce.

O rastreamento identifica o câncer em sua fase inicial, momento em que a doença ainda não se manifestou. Em outras palavras, ele detecta o problema em indivíduos aparentemente saudáveis. Já o diagnóstico precoce significa encontrar o câncer logo no surgimento dos primeiros sinais.

Ambas as ações possibilitam flagrar tumores de pequeno tamanho, aumentando bastante as chances de cura.

12) O rastreamento do câncer

O rastreamento permite encontrar um tumor em estágios bem iniciais, às vezes, quando ainda está in situ – não é invasivo e está limitado à superfície da primeira camada de células de um tecido. Ou então localizar as lesões precursoras do câncer, ou seja, aquelas que, se não forem tratadas adequadamente, têm grande probabilidade de se tornar malignas.

Hoje, as instituições internacionais de saúde pública, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), a US Preventive Service Task Force (EUA) e a Canadian Task Force on Preventive Health Care, aconselham o rastreamento para quatro tipos de câncer: mama, cólon e reto, colo do útero e pulmão.

No caso das mamas, o exame de rastreamento recomendado pela maioria das organizações é a mamografia, um tipo especial de exame de raios X. Existe uma grande polêmica quanto à idade de início e fim do rastreamento por mamografia, para o grupo de risco padrão (mais de 90% da população feminina). Por isso, o melhor é conversar com seu médico para entender o ponto de vista dele sobre os benefícios e os riscos de se realizar o exame periodicamente, bem como os intervalos e a idade que ele considera apropriados.

Ao rastrear o câncer de intestino (cólon e reto), os especialistas procuram os pólipos, considerados lesões precursoras, e outras alterações, como os tumores propriamente ditos. Homens e mulheres entre 50 e 70 anos devem realizar alguns exames regularmente, incluindo a pesquisa de sangue oculto nas fezes, a colonoscopia e a retossigmoidoscopia. Os dois últimos consistem em exames invasivos, mas relativamente simples, em que o paciente recebe uma sedação leve e um tubo flexível com uma câmera na ponta é introduzido no ânus. Cada um deles apresenta vantagens e desvantagens. Consulte seu médico para saber qual dos exames é mais adequado para você e a periodicidade ideal de cada um deles.

O rastreamento do câncer do colo do útero é realizado por meio do exame preventivo ginecológico, conhecido como Papanicolaou. Ele permite coletar, com uma espátula, uma amostra de células da região, permitindo a identificação de eventuais lesões tumorais. O exame existe desde os anos 1940 e é muito disseminado nos países desenvolvidos. A maioria das organizações de saúde recomenda o início do rastreamento aos 25 anos e o fim, entre 70 e 75. A periodicidade recomendada, na maioria dos países, é a cada três anos. Converse com seu médico para saber um pouco mais sobre o teste.

Por fim, para o câncer de pulmão, recomenda-se o rastreamento com tomografia computadorizada de baixa dose de radiação, em pessoas de 55 a 74 anos, que fumam mais de 30 maços de cigarro por ano ou pararam de fumar nos últimos 15 anos.

13) Diagnóstico precoce

A maioria das recomendações oficiais destaca a importância de identificar os primeiros sinais e sintomas do câncer e buscar rapidamente a ajuda de um especialista. As páginas das principais instituições de saúde na internet, como a da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Instituto Nacional de Câncer (INCA), disponibilizam guias para aprender a reconhecer os indícios da doença.

Por ser uma doença heterogênea, o câncer pode desencadear diferentes sinais e sintomas. De forma resumida, sintoma é qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, seu metabolismo, suas sensações, podendo ou não consistir em um indício de doença. Sinais são as alterações percebidas ou medidas por outra pessoa—geralmente, um profissional de saúde. A diferença entre sinal e sintoma é que o primeiro pode ser percebido por outra pessoa, sem o relato do paciente, enquanto o sintoma é reconhecido a partir da queixa dele, ou seja, só o próprio indivíduo consegue notar.

Alguns sinais e sintomas levantam suspeita de câncer em um indivíduo. Os principais são:

  • A presença de uma tumoração (volume localizado) na mama ou em qualquer parte do corpo;
  • Um novo sinal (ou mancha) ou a modificação das características de um sinal antigo;
  • Uma ferida que nunca cicatriza;
  • Uma tosse ou rouquidão que não melhora ou cessa;
  • Mudanças no funcionamento do intestino e da bexiga, que sejam duradouras;
  • Desconforto durante e logo após a alimentação, que permanece por semanas;
  • Dificuldade persistente de engolir;
  • Perda – e, ocasionalmente, ganho – de peso sem causa aparente;
  • Sangramento ou corrimento não habitual persistente;
  • Cansaço e desânimo excessivos.

No entanto, é importante deixar claro que essas manifestações também são características de outras enfermidades. Somente um médico é capacitado para avaliar sua gravidade e relevância.
Quanto mais cedo a pessoa procurar um serviço de saúde para esclarecimento, mais precocemente será possível desvendar a causa do incômodo.

14) Como é feito o diagnóstico?

Se você tem algum sinal ou sintoma suspeito, ou se realizou um exame de rastreamento que apresenta alterações (exame positivo), é conveniente fazer uma investigação clínica de câncer. Mas fique calmo. Na maior parte dos casos (cerca de 90%), as suspeitas que aparecem nos testes não têm confirmação de câncer. Os achados mais frequentes são alterações benignas, fisiológicas (que fazem parte do funcionamento normal do indivíduo) ou exames falso-positivos (exames positivos em indivíduos sadios).

15) Exames complementares

Frequentemente, o médico entrevista o paciente e analisa sua história familiar e pessoal de saúde. Ele também costuma solicitar exames complementares, que incluem: testes laboratoriais (de sangue, urina e, eventualmente, análises de algum fluido corporal) e de imagem, como raios X, tomografia computadorizada, ultrassonografia e ressonância nuclear magnética, entre outros.

16) Confirmação

Os chamados exames histopatológicos são necessários para confirmar um caso de câncer. São análises de amostras de tecido, provenientes de biópsias, nas quais um médico retira um pequeno fragmento e o encaminha para a análise microscópica de um patologista. As biópsias podem ser feitas por agulha, por meio de uma endoscopia ou de uma cirurgia. As biópsias realizadas por cirurgia podem retirar todo o tumor ou apenas parte dele. O resultado demora alguns dias.

17) Marcadores tumorais

Eles são substâncias produzidas pela célula do câncer ou, em algumas condições, por células normais. É possível dosá-las em amostras de sangue, urina, fezes, tecidos tumorais ou fluidos corporais. Em geral, são proteínas, mas podem ser, também, alterações no DNA. Os marcadores tumorais são usados para o diagnóstico, mas também para planejar e acompanhar o tratamento.

18) O que significa prognóstico e estadiamento do câncer?

Estabelecer um prognóstico significa prever as prováveis consequências do câncer e/ou de seu tratamento. Para isso, os médicos se baseiam em dados científicos estatísticos, levando em conta a média de sobrevida (tempo de vida após o diagnóstico da doença), a mortalidade, a taxa de remissão (ou desaparecimento da doença) e a de recidiva (tendência de a doença retornar após desaparecer com o tratamento). Diferentemente dos fatores de risco, que são estudados para estimar a probabilidade de uma pessoa ficar doente, o prognóstico é uma previsão para quem já tem a enfermidade.

19) Estadiamento

O termo se refere a um procedimento que busca mensurar a extensão do câncer, norteando o tratamento mais adequado para cada caso. Por meio de exames de imagem, o médico avalia o tamanho do tumor e verifica se ele comprometeu outras partes do corpo além do órgão ou tecido de origem.

Existem vários modelos de estadiamento. Para os tumores sólidos, a classificação TNM (tamanho do tumor, presença de linfonodos comprometidos e presença de metástases) é a mais difundida. Nesse modelo, a lesão é classificada em uma escala que, em geral, varia de I a IV, indicando se o câncer está localizado ou é avançado. O estadiamento, em conjunto com outros parâmetros clínicos e laboratoriais, determina o prognóstico do câncer, além de influenciar nas decisões terapêuticas.

Nas últimas décadas, alguns marcadores tumorais (substâncias relacionadas ao câncer que podem ser dosadas no organismo) foram incorporados ao estadiamento de tipos específicos de doença para otimizar a classificação do tumor, a avaliação prognóstica e a orientação terapêutica.

20) Quais os principais métodos terapêuticos?

O período que antecede o tratamento do câncer costuma ser estressante para os pacientes e familiares. Para enfrentá-lo com mais tranquilidade e segurança, é importante ter um conhecimento básico sobre o que vem pela frente.

Geralmente, o tratamento é realizado de acordo com o tipo de câncer e o estadiamento da doença. Também são considerados a idade do paciente e seu estado geral. O objetivo do tratamento é, habitualmente, curar o câncer, mas, quando a doença é incurável, o foco passa a ser o controle dos sintomas e o aumento da sobrevida do paciente.

Dependendo da resposta às terapias, de eventuais efeitos colaterais e do comportamento do tumor, pode ser necessário alterar o tratamento.  A maior parte das estratégias inclui métodos como a cirurgia, a quimioterapia, a imunoterapia, a radioterapia e a hormonioterapia. Como o próprio nome sugere, a imunoterapia atua no sistema imunológico, otimizando as defesas do organismo para combater a doença. Já a hormonioterapia é frequentemente utilizada em tumores que dependem de hormônio para se desenvolver. O medicamento atua, justamente, no bloqueio da ação de tais hormônios.

Nas últimas décadas, foram incorporadas novas alternativas, como os anticorpos monoclonais, medicamentos que agem em mecanismos específicos da célula tumoral (terapias-alvo), além do transplante de medula óssea.

Alguns tumores malignos respondem bem a apenas uma estratégia terapêutica, enquanto outros requerem tratamentos combinados. A cirurgia e a radioterapia são consideradas tratamentos locais, pois atingem somente a área comprometida. Já a quimioterapia e a hormonioterapia são consideradas tratamentos sistêmicos, em que os agentes químicos agem em todo o organismo, por meio do sistema circulatório.

Infelizmente, existe o risco de alguns tratamentos lesarem as células sadias do organismo. Esses efeitos colaterais variam de acordo com o tipo, a duração e a intensidade do tratamento, bem como a tolerância individual.

Antes de cada sessão, é comum que a equipe multiprofissional explique ao paciente as reações mais frequentes e como elas podem ser minimizadas. Esse time de especialistas inclui médicos, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos, entre outros profissionais.

Recentemente, com os medicamentos utilizados na medicina de precisão, as novas técnicas cirúrgicas e equipamentos de radioterapia modernos, os eventos adversos diminuíram e a eficiência aumentou consideravelmente, otimizando os resultados.

Por fim, antes de iniciar qualquer tratamento, não é incomum solicitar ou procurar uma segunda opinião sobre o diagnóstico e o tratamento recomendado. Apesar de não ser uma prática comum no Brasil, um pequeno atraso no início do tratamento para elucidar dúvidas e confirmar a estratégia de tratamento pode oferecer mais segurança aos pacientes e familiares.

21) Medicina complementar e alternativa

Há situações em que os pacientes são abordados com ofertas de tratamentos alternativos para substituir o esquema padrão. Ou então estratégias complementares a serem associadas à regular. É o caso de acupuntura, massagem, fitoterapia (tratamento com ervas medicinais) e meditação, entre outras.

Esses recursos ajudam a amenizar sintomas como náuseas, vômitos e dor. No entanto, é desaconselhável que substituam o tratamento padrão, devido ao risco de progressão da doença.

Uma opção muito recente de abordagem oncológica é a chamada medicina integrativa, uma ampla de linha de cuidados que envolve corpo, mente e espírito. Ela combina a medicina científica aos métodos complementares. Um bom exemplo é a utilização de técnicas de relaxamento para reduzir a ansiedade pré-quimioterapia, minimizando os episódios de vômitos e náuseas.

Existem diferentes sistemas de cuidados com a saúde, sendo alguns deles milenares, capazes de auxiliar, de fato, na recuperação. Vale acrescentar a medicina ayurvédica, a chinesa, a naturopática e a homeopatia.

No entanto, atenção: se você tem interesse em determinado método, o mais prudente é conversar com seu médico sobre seus riscos e benefícios, já que algumas técnicas podem interagir com o tratamento, interferindo nos resultados.

22) Atividade física, nutrição e câncer

Parte importante da recuperação de um paciente com câncer é se manter ativo e adotar uma dieta de qualidade, garantindo o aporte calórico e o peso ideais.

Não é raro, porém, que os pacientes apresentem alteração do apetite ou intolerância a determinados alimentos. Por isso, é importante contar com a orientação de um nutricionista, o profissional de saúde capacitado para adaptar a dieta.

Muitos pacientes se sentem melhor quando mantêm uma atividade física regular, como nadar, caminhar, praticar ioga e outras modalidades, pois isso ajuda na manutenção da saúde e na disposição.

O exercício também é capaz de atenuar dores e náuseas decorrentes do tratamento e reduzir o estresse, melhorando o prognóstico em alguns casos.

Mas, antes de partir para o treino, é fundamental consultar seu médico. E, se sentir dor ou piora nos sintomas após os exercícios, não deixe de comunicá-lo.

23) Depois do tratamento

Os avanços na oncologia levaram ao aumento da população reabilitada, que retorna às suas atividades habituais. Mesmo após a recuperação, porém, essas pessoas necessitam de acompanhamento por um período prolongado, a fim de identificar eventuais recorrências do câncer ou efeitos adversos do tratamento, que podem surgir em médio e longo prazos.

Por isso, os médicos orientam a marcação de consultas periódicas, em que realizam um exame físico e solicitam exames laboratoriais e de imagens, além de outros mais específicos se for preciso.

Caso haja recorrência, o especialista decidirá, em conjunto com o paciente e sua família, qual é o melhor tratamento. Se um efeito tóxico tardio for identificado, o profissional também apontará as alternativas para contorná-lo.

Habitualmente, esse seguimento dura entre cinco e dez anos, considerando que os riscos de a doença retornar são maiores nos primeiros e diminuem após cinco anos. Já o período de vigilância para efeitos tóxicos varia de acordo com o esquema terapêutico.

24) Pesquisa e câncer

Existe um esforço global para descobrir novas maneiras de prevenir, diagnosticar e tratar os diferentes tipos de câncer. Os pesquisadores vêm entendendo melhor como a doença se desenvolve e conduzindo diversos estudos científicos com base nessas informações.

A busca por tratamentos inovadores começa, na maioria das vezes, em um laboratório de pesquisa básica (normalmente, utilizando apenas células, o que é chamado de pesquisa in vitro).

Caso essa etapa seja promissora, os cientistas partem para testes com animais de laboratório (pesquisas in vivo). Na sequência, é hora de avaliar o efeito das drogas em humanos voluntários.

Acontece que nem sempre bons resultados iniciais significam sucesso em pacientes com câncer. Os experimentos servem justamente para testar se uma nova abordagem é segura e efetiva. Esses ensaios são realizados em todo o mundo e orientam a prática médica.

Eventualmente, indivíduos com câncer podem ser recrutados para participar de um estudo clínico, especialmente aqueles para cuja doença não há tratamento padrão determinado. Nesse caso, a equipe multiprofissional e o médico do paciente fornecem todas as informações necessárias para esclarecer as vantagens e desvantagens de participar do experimento.

25) Bibliografia

NationalCancerInstitute (NCI). National Institute of Health. Department of Health & Human Services – USA. NCI Home Page.
Disponível em: http://www.cancer.gov/
Acesso em: 12 mar. 2017.

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Acesso em: 05 mar. 2017.

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Disponível em: https://www.uspreventiveservicestaskforce.org/
Acesso em: 20 mar. 2017.

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Disponível em: http://canadiantaskforce.ca/about/
Acesso em: 18 mar. 2017.

Cancer Research UK. Cancer Research UK Home Page.
Disponível em: https://www.cancerresearchuk.org/
Acesso em 10 mar. 2017.

Organização Mundial da Saúde (OMS). Health Topics Cancer Home Page.
Disponível em: http://www.who.int/topics/cancer/en/
Acesso em 13 mar. 2017.

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